Resenha Strawberry Fields Forever (Richard Zimler)

A vida de Teresa morando em outro país não tem sido nada fácil. A garota de 15 anos se mudou de Lisboa para Nova York com os pais e seu irmão mais novo, Pedro. Além de ter dificuldade com o novo idioma, a menina sofre por se sentir excluída na escola, onde não tem amigos, e por problemas em sua própria casa; sua mãe parece odiar os filhos, o pai está internado com pneumonia e Pedro, que já tem 7 anos, ainda faz xixi na cama e é bem retraído para um garoto de sua idade.

Livraria Cultura
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Angel é o único amigo de Teresa. Um ano mais velho, gay, brasileiro e fanático por Beatles e John Lennon, ele sofre muito bullying no colégio, onde recebe ameaças, é motivo de chacota e há um tempo apanhou de um garoto, além de ter sido acusado de tentar beijá-lo a força. Com medo de que um dia Angel seja morto por ser homossexual, Teresa vive revoltada com os adultos da escola e até mesmo com a mãe de seu amigo, por achar que ninguém de fato se importa com ele.

Com todos esses problemas em sua vida, Teresa se sente cada vez mais afundada em um mar de solidão, raiva, medo e tristeza. O basquete na escola, antes seu refúgio, torna-se um problema quando, durante uma partida, Angel estava torcendo por ela na arquibancada e começou a ser zoado por alguns meninos. A treinadora, ao invés de ajudar, fez com que Teresa se sentisse ainda pior, além de tê-la dispensado dos jogos seguintes.

Quando sofre uma grande perda em sua vida, e Angel abandona a escola sem contar para onde esta indo, a garota acaba se voltando para a bebida como forma de fugir de seus problemas, mesmo que momentaneamente. Contudo, Teresa precisa enfrentar esses acontecimentos, e tudo vai mudar quando ela se encontrar com o amigo no aniversário de morte de John Lennon e perceber que, dentro de si, possui um amor pela vida maior do que tinha imaginado.

Durante a leitura de Strawberry Fields Forever (livro que, como fã de Beatles, comprei inicialmente por causa do título), fiquei confusa em alguns momentos por não saber quando Teresa estava fazendo um throwback – ou seja, relembrando algo que já tinha acontecido – ou falando de algo que estava acontecendo no presente. Esse para mim foi o principal aspecto negativo da narrativa, e que em alguns momentos tive que ignorar para prosseguir com a leitura.

Apesar disso, esse livro me surpreendeu positivamente de diversas maneiras, desde as referências musicais até a profundidade com que aborda assuntos sérios como depressão, luto e homofobia. Outro ponto positivo foi o desenvolvimento dos personagens e o amadurecimento nítido que Teresa sofre ao longo da história. Narrado em primeira pessoa, o livro nos faz sentir como se estivéssemos na cabeça da garota, o que torna mais fácil para o leitor ter empatia por ela e pelas pessoas com as quais ela se importa. O livro me emocionou e surpreendeu, e de quebra ainda tem essa capa linda e o melhor título de todos. Vale muito a pena!

Richard Zimler é um jornalista, escritor e professor nova-iorquino naturalizado português.

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