Resenha Qual é a tua obra? (Mario Sergio Cortella)

Mario Sergio Cortella é um filósofo e escritor brasileiro, possui mestrado e doutorado em Educação e foi assessor especial e chefe de gabinete do Paulo Freire, o sucedendo depois no cargo de secretário municipal de Educação de São Paulo (1991-1992). É autor de uma enorme lista de obras, e suas palestras são facilmente encontradas na internet (fica aqui minha recomendação para aqueles que queiram conhecê-lo antes de ler algum de seus livros).

Saraiva
Saraiva

Em Qual é a tua obra?, Cortella discorre sobre temas que geralmente não são considerados os mais interessantes por muitas pessoas. Para aqueles que buscam conhecimento através da leitura, esse livro é ideal. O autor consegue abordar a gestão, liderança e ética de maneira acessível ao leitor, relacionando-os com assuntos “atuais” e um conteúdo diversificado, sem com isso deixar de ser leve. Coloquei a palavra atuais entre aspas porque o livro foi publicado em 2007, e muitos já consideram esse ano ultrapassado.

Por considerar reflexões filosóficas extremamente complexas para serem dignamente abordadas, pelo menos por mim, faço aqui a indicação do livro sem contar muitos detalhes sobre ele. Dos três temas em que é dividido, Ética foi a parte que mais gostei; foi a primeira vez que li sobre ética dessa maneira, e fico feliz que tenha acontecido através do texto de alguém como o Cortella. Parece de pouca importância comentar isso, mas detalhes que pude reparar em sua escrita, como o fato de ele nunca se referir às pessoas através de pronomes masculinos (devido ao plural), mas sim “aqueles e aquelas”, “eles e elas”, me fizeram respeitar ainda mais a opinião de alguém que, apesar de mostrar seu ponto de vista no que escreve, nunca se esquece de que ponto de vista é apenas a vista a partir de um ponto.

Apesar de ter gostado da parte da Ética, que é a última, foi em Liderança, mais especificamente em A renovação pelo outro, que eu li o que mais me intrigou em toda a obra. O autor fala que é preciso ter cuidado com quem concorda com tudo o que você faz, pois essa pessoa ou não gosta de você ou começou a se preparar para te derrubar. Isso porque as pessoas que respeitam você discordam de você quando é preciso discordar, sabendo que dessa maneira você poderá crescer. Mesmo alguém que é extremamente bom no que faz sempre tem como melhorar, e nunca deve se ver completamente satisfeito e deixar de procurar seu desenvolvimento. Não há uma única maneira de fazer algo, e é por isso que devemos aprender com os outros através de uma crítica construtiva e até mesmo uma simples observação.

Isso tudo me levou a pensar na maneira como eu me comporto em relação às pessoas que respeito e me fez ter uma imensa vontade de expressar cada vez mais o que eu penso sobre o que essas pessoas fazem, pois assim elas terão a possibilidade de melhorarem. Elogios são sim muito bem-vindos, principalmente quando merecidos, mas por que não fazer determinado comentário com a intenção de que a pessoa melhore ainda mais?

Também pensei em relação as coisas que eu faço, e espero de verdade que as pessoas que me respeitam nunca deixem de me auxiliar através de críticas construtivas. A minha intenção com o blog sempre foi desenvolver cada vez mais minha escrita, e eu sei que tenho muito trabalho pela frente, um trabalho que nunca vai acabar. Eu leio as coisas que escrevi quando tinha 15 anos e sei que melhorei muito desde então, mas é preciso ter em mente que a maneira como eu escrevo atualmente vai ser considerada inferior a maneira como escreverei daqui alguns anos, caso eu continue praticando. Seria muito bom poder contar com a opinião dos leitores para saber no que eu posso melhorar. Inclusive considero que um professor que goste muito de determinado aluno e acredite em seu potencial deve sempre desafiá-lo em relação as coisas que ele faz para que assim ele quebre suas barreiras e expanda ainda mais suas capacidades. Elogios são necessários, mas essencial mesmo é a contribuição para o desenvolvimento.

18 Comentários


    1. É mesmo um desses livros para ler e reler, Deborah! Muito obrigada!

      Responder

  1. Oiii Ju!!!
    Nossa, sou super curiosa pra ler o Cortella, mas nunca sabia por onde começar! Acho que esse é uma boa pedida, né?
    Nas palestras, ele fala várias pérolas (no bom sentido), daquelas frases que dá pra colocar com uma foto bonita no fundo! Hahahahaha!
    Muito legal esse ponto que vc destacou de ele sempre falar no masculino e no feminino.
    Vc (e o autor) tem toda razão ao dizer que críticas são necessárias. Eu sou uma pessoa que não lida tão bem com isso, fico um pouco incomodada. Mas faz parte do processo de crescimento e aprimoramento mesmo.
    Beijoooo!
    Nati

    Responder

    1. Oi Nati!
      É sim um bom livro pra começar a ler o Cortella, acho que você vai gostar bastante.
      Nem me fale em pérolas, anotei duas páginas só de trechos que gostei!
      Acho que é difícil de lidar mesmo, Nati, mas necessário. Nada que fazemos na vida agrada todo mundo, é impossível. Mas é diferente quando você sabe que a pessoa esta falando aquilo (algo aparentemente negativo) por acreditar em você e esperar o seu melhor. O difícil é identificar essas pessoas. Mesmo assim, acho que da pra perceber quando a pessoa fala algo sem base alguma, e quando é assim não devemos nem nos importar.
      Beijos!

      Responder

  2. Olá Julie!

    Cortella, como Drummond, como Julie, escreve bem porque escreve de forma simples. Esse “melhorar a escrita” tem mais a ver com o quebra-cabeças da linguagem figurada exatamente para simplificar e ficar cada vez mais bonito. E aí a prosa fica poética e de bom gosto, acredito. Continue espalhando boas palavras!!!

    Responder

  3. Acredita que tive a oportunidade de assistir a uma palestra dele no ensino médio, mas nunca li nenhum livro dele? Me instigou a procurar algum pra começar a conhecê-lo melhor.

    Responder

    1. Sério, Barbara? Que bacana! Você gostou da palestra?
      Acho que vai gostar bastante de conhecer, se ler alguma outra obra dele conta o que achou, também gostaria de saber outra que vale a pena ler!

      Responder

  4. Fantástico. Humildemente escrito e dá pra sentir que as palavras vem do fundo da sua mente. Parabéns!

    Responder

  5. Não conhecia Cortella, ontem ele estava no programa Roda Viva e me chamou muita a atenção.
    Então resolvi buscar alguns relatos sobre suas obras para saber por onde começar.
    Obrigado pela resenha, me ajudou a decidir!

    Vou aproveitar e conhecer mais o seu blog!

    Abraços.

    Responder

    1. Fico feliz que tenha gostado, eu tenho vontade de ler mais obras dele!

      Abraços e obrigada!

      Responder

  6. Olá!!
    É um livro fantástico, gostei demais.

    Sobre o seu Resumo, achei um pouco superficial. Algumas de tuas reflexões baseadas no livro foram interessantes, no entanto, acredito que poderias ter ido mais “fundo e trazer mais coisas de lá”.

    Forte Abraço pra Ti!
    Cordialmente,

    Carlos Cavalcanti

    Responder

    1. Olá, Carlos!

      Obrigada por sua crítica ao meu “resumo”. Eu não tenho muito o costume de resenhar esse tipo de livro. Se você der uma olhada em meu blog, vai reparar que as resenhas são em sua maioria de livros de ficção, sendo que na verdade eu gosto muito de livros de não-ficção, talvez até considere esse o meu gênero favorito, e li muitos que ao menos cogitei escrever a respeito depois.
      Eu acabo pensando que não vou saber falar de maneira adequada a respeito de certos assuntos – principalmente filosofia – então na maioria das vezes nem tento. Esse foi um dos primeiros, e na época dei meu melhor.
      Vou me desafiar mais a fazer resenhas assim, pra um dia ser capaz de abordar tudo de maneira mais profunda.

      Obrigada!

      Responder

  7. Olá.

    Gostaria de saber que tipo de resenha é esta.
    Critica descritiva, critica ou temática?

    Outra coisa, gostei muito do seu blog

    Abraços

    Obrigada

    Responder

    1. Olá,

      No caso desse livro, creio se tratar de uma resenha crítica, apesar de não conter/seguir exatamente todos os elementos de uma resenha crítica.
      Nesse blog acabo por seguir um estilo de escrita mais livre (para mim) e acessível (ao leitor).

      Muito obrigada!

      Abraços

      Responder

Deixe uma resposta para Paty Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *