Resenha Passarinho (Crystal Chan)

Devido a paixão de John por saltar e escalar árvores, seu avô o apelidou de Passarinho, e costumava dizer que um dia o menino seria capaz de voar. No dia do nascimento de sua irmã mais nova, John pulou de um penhasco. Desde então, o avô parou de falar e passou a se trancar em seu quarto nos aniversários de Joia, a menina que nasceu no dia da morte do irmão.

Saraiva
Saraiva

Joia nunca teve uma festa de aniversário. Pior do que isso, ela cresceu em uma casa onde reina o silêncio, a mágoa e o rancor. Os pais culpam o avô pela morte de John, e parecem não amar a filha tanto quanto amavam o menino. Todos os anos em seu aniversário, Joia visita com os pais o túmulo do irmão, mas além de um bolo e alguns presentes não muito elaborados, jamais pôde celebrar essa data que deveria trazer alegria, mas que em sua casa apenas recorda a todos de uma tragédia.

O único local ao qual Joia sente pertencer é o penhasco, onde visita com frequência. Além disso, costuma escalar uma árvore em uma propriedade vizinha, principalmente durante a noite, quando pode se afastar de todos. Na noite de seu aniversário de 12 anos, encontra em um galho da árvore um garoto chamado John, de quem Joia nunca ouviu falar na pequena cidade onde mora. Além de ter o mesmo nome de seu irmão, tudo a respeito do garoto fascina a menina, que nunca teve alguém que a entendesse e com quem pudesse conversar.

Joia e John se tornam amigos, e muitas mudanças começam a acontecer na casa da menina a partir de então. O avô dela acredita que John é um duppy, espírito maligno que influenciou Passarinho a se jogar do penhasco. Os pais da garota discordam a respeito dessa superstição, uma vez que o pai dela também segue a religião jamaicana que prega a existência de duppies, enquanto a mãe é uma descrente e há anos não frequenta igreja de qualquer tipo. A família de Joia guarda muitos segredos por trás disso tudo, e logo a garota se vê no meio de um furacão de dor, traumas, rancor e conflitos ideológicos que a abalam muito mais do que seus pais poderiam imaginar.

Além de abordar a questão psicológica envolvendo o trauma de uma perda, o livro Passarinho é rico por abordar diversos outros temas, como convivência em família, religião e superstição, diferenças culturais e a falta de consideração pelo sentimento e pensamento das crianças. A leitura é leve mas o livro pesado, uma vez que nos coloca em meio àquela família e, assim como Joia, nos deixa sem saber o que fazer para consertar tudo aquilo que foi quebrado com a morte de Passarinho. Mais um caso de livro com protagonista criança porém indicado para pessoas de todas as idades.

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