Resenha O mundo de Sofia (Jostein Gaarder)

No caminho de volta para casa depois de um dia comum na escola, Sofia Amundsen encontra na caixa de correio uma carta destinada a ela, de remetente desconhecido. Dentro, um bilhete com a inquietante pergunta: Quem é você? Mal sabia ela que aquela era a primeira de muitas correspondências que viriam depois, e que mudariam completamente sua forma de refletir a respeito da existência e do mundo.

Em pouco tempo Sofia é iniciada em um curso de filosofia que chega até suas mãos de maneiras cada vez mais estranhas e misteriosas, com lições ensinadas por um professor que ela ao menos sabe o nome, e que lhe apresenta a história da evolução do pensamento filosófico da humanidade.

Editora Seguinte
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Paralelamente aos bilhetes inquietantes que transformam-se no curso de filosofia, Sofia recebe cartões-postais de um Major do Líbano, destinados a desconhecida Hilde Moller Knag. A garota também conhece Alberto Knox, o professor que passa a dar suas aulas pessoalmente sem nunca explicar o motivo de tudo aquilo; enquanto isso, os cartões a Hilde vão se tornando cada vez mais enigmáticos, pois o autor deles parece saber tudo a respeito da vida de Sofia, que não faz ideia de como se tornou a intermediária das correspondências.

Conforme seu decorrer, a história vai perdendo a intensidade que tanto envolve o leitor no início, e principalmente no desfecho o autor acaba deixando a desejar. Parece que todo o esforço empregado em tornar a filosofia mais acessível ao público simplesmente deixa de ser aplicado na parte literária do livro, que tinha tudo para ser sensacional mas que infelizmente acaba decepcionando.

Contudo, não posso deixar de enaltecer a brilhante ideia do autor e a maneira como ele a executou. Com a filosofia sendo abordada de maneira simples e mesmo assim notável, somos introduzidos ao pensamento de alguns grandes filósofos desde a Antiguidade Clássica até a atualidade, acompanhando a evolução do ser humano e sua maneira de interpretar o mundo, cada vez mais descobrindo que, apesar de nossa capacidade racional, o universo nos é muito mais incompreensível do que um dia pensamos ser, e que estamos muito longe de atingir o conhecimento completo de qualquer coisa.

Apesar do cotidiano não favorecer que ocupemos a maior parte do nosso tempo pensando a respeito de grandes dilemas, o ser humano tem em comum essa sede de descobrir o motivo de sua existência, a maneira como tudo surgiu, o que vai acontecer após a morte. Alguns se contentam com as explicações já existentes (principalmente religiosas), mas o que a filosofia faz é aceitar que nossa única certeza é a de que não podemos ter certeza de nada nessa vida, a partir disso se permitindo ir além das limitações impostas e utilizando o pensamento para explorar o próprio pensamento e o sentido disso tudo.

O mundo de Sofia não deve ser lido da maneira comum que lemos um livro. É necessário parar em determinadas partes, absorver o que foi explicado, refletir a respeito e muitas vezes ler novamente (recomendado até fazer anotações a parte das coisas mais relevantes). É denso e complexo, apesar de sua linguagem acessível, mas vale a pena. Muito mais do que apenas recomendar a leitura, eu diria que essa poderia ser uma obra base para a filosofia que nos é ensinada na escola. Certo é que, quanto mais estudamos, mais percebemos que nada sabemos; sem uma boa base, contudo, não é possível chegar a lugar algum. Como o livro mesmo diz, “ se os alicerces balançam, a casa inteira pode ruir”.

3 Comentários


  1. Há tempos escuto sobre esse livro e fico com vontade de ler, mas sempre me esqueço disso. Um dia ainda leio!!

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  2. Oi, tudo bem?! Conheci seu blog e gostei muito, já segui o blog, o twitter e também curti a página no facebook. Sucesso!

    Eu já li outro livro do autor (A Biblioteca Mágica de Bibbi Bokken) e gostei bastante. Se este livro for igual, irei amar. Parece ser bastante complexo e ao mesmo tempo, mas se eu for ler, vou seguir suas dicas!!

    Abraços do Dan 🙂
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    1. Que bom que gostou, obrigada! Esse é o único livro que li do Jostein, mas tenho vontade de ler outros e ver como ele se sai.
      Vou conferir seu blog e página no facebook!

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