Resenha O Mágico de Oz (L. Frank Baum)

Dorothy é uma garota sem idade determinada, o que leva cada leitor a vê-la de maneira diferente – eu, por exemplo, não conseguia imaginá-la com mais de 10 anos de idade. Ela vive com seus tios e o cachorro Totó em uma pequena fazenda no estado de Kansas, onde leva uma vida humilde e pacata. Certo dia, um ciclone se forma bem no centro da casa de um só cômodo onde eles viviam, e enquanto os tios conseguem se esconder em um pequeno abrigo no subsolo, a garota fica para trás tentando resgatar seu cachorro, que estava correndo pela casa muito assustado com tudo aquilo. Já sem esperança de conseguir fugir do ciclone, Dorothy tem a brilhante ideia de deitar em sua cama para ver o que vai acontecer com sua vida. Ela adormece, e quando acorda, descobre que já não está mais em Kansas.

Dorothy abre a porta de entrada e encontra sua casa em uma terra linda e desconhecida. Alguns estranhos moradores em companhia de uma bruxa boa se aproximam para lhe dar as boas vindas, agradecendo a bondade de Dorothy por ter matado a Bruxa Má do Leste. Sem entender, a garota olha para onde sua casa se fixou e leva um susto; dois pés com sapatinhos prateados estão para fora, pois a casa tinha caído em cima de alguém. A menina entra em desespero por ter causado a morte da bruxa, mas os moradores lhe explicam o quão má ela era, e o quão bom será para o povoado que ela esteja morta. Dorothy então se da conta de que seus tios ficaram em Kansas, e que logo ficarão preocupados com seu sumiço. Ela pede ajuda para voltar para casa, mas a bruxa boa não conhece o lugar onde Dorothy vive. O que ela faz pela garota é lhe entregar os sapatinhos prateados da bruxa morta, indicar o caminho que ela deve seguir para chegar a Cidade das Esmeraldas e pedir ajuda para o Mágico de Oz, o mais poderoso mágico do reino, e lhe dar na testa um beijo que lhe protegerá de todo mal. A garota e o cachorro partem a caminho da cidade onde o mágico vive, na intenção de pedir a ele que, com todos os seus poderes, mande-os de volta para Kansas.

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Dorothy vive diversas aventuras nas terras de Oz. Com sua bondade, carisma e vontade de ajudar os necessitados, ela encontra grandes amigos em três figuras que se juntam a ela e Totó a caminho da Cidade das Esmeraldas. O primeiro deles é o Espantalho, que foi salvo pela garota de uma plantação de milho onde estava parado há tempos, e que pretende pedir a Oz um cérebro. O segundo é o Lenhador de Lata, que estava enferrujado há tempos no meio de uma floresta e também foi salvo pela garota, além de lhe contar sua história e se juntar a eles para pedir a Oz um coração. O terceiro é o Leão, que se considera covarde por viver assustando todos os seres que encontra pelo caminho a fim de amedrontá-los e não precisar enfrentá-los, e que quer ganhar coragem do Grande Mágico. Juntos eles se ajudam nessa jornada cheia de surpresas e adversidades.

Gostaria de estar vivendo um momento da minha vida no qual consigo apreciar e absorver histórias infantis o máximo possível, mas não estou. Acabei criticando mentalmente O Mágico de Oz enquanto realizava a leitura muito mais do que tentei enxergar além, o que me deixou com uma sensação de vazio quanto a esse clássico que queria ler há tempos. Não tive uma boa experiência devido aos olhos cheios de ceticismo, me esquecendo que se trata de um livro infantil e de muita importância na história da literatura.

Certas coisas na obra me impressionaram muito; afinal, foi a primeira leitura que fiz do livro e nunca assisti adaptações, então sabia apenas o básico a respeito do enredo. A verdade por trás de Oz foi chocante, e conseguiu me deixar com raiva e ao mesmo tempo embasbacada com tal plot twist. Certos diálogos entre as personagens também me impressionaram bastante, principalmente aqueles a respeito do cérebro, o coração, e qual dos dois seria melhor ter caso tivéssemos que escolher apenas um deles.

‘All the same,’ said the Scarecrow, ‘I shall ask for brains instead of a heart; for a fool would not know what to do with a heart if he had one.’

‘I shall take the heart,’ returned the Tin Woodman, ‘for brains do not make one happy, and happiness is the best thing in the world.’ pg. 41

A leitura de clássicos é extremamente importante quando se quer entender tudo aquilo que está sendo escrito hoje em dia, uma vez que eles são sempre mencionados e, mesmo quando não, podem fazer parte do pano de fundo ou da inspiração que autores atuais tiveram para escrever seus livros. Mesmo não tendo gostado muito, principalmente do desfecho, recomendo a todos que ainda não leram O Mágico de Oz a darem uma chance para esse livro, que provavelmente vai tomar pouco tempo de suas vidas, mas que poderá levar a reflexões e ensinamentos perenes para todos aqueles que souberem apreciar.

P.S.: ‘You’re (we’re) are not in Kansas anymore’ é uma expressão que faz referência ao livro O Mágico de Oz usada nos Estados Unidos para se referir a situações que estão fora da zona de conforto de alguém.

Esse é mais um livro bom para aqueles que querem começar a ler em inglês.

3 Comentários


  1. Gostei muito de sua resenha, Julie, e confesso que lê-la me fez querer ler o livro. Provavelmente eu faria críticas similares, pois já não me identifico com livros infantis há muitos anos, mas sem dúvidas, sendo o clássico que é, é uma daquelas leituras quase obrigatórias para os que amamos ler.

    Beijos!
    Thaís

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