Resenha O homem que matou Getúlio Vargas (Jô Soares)

Isabel é uma contorcionista brasileira filha de uma escrava negra e pai desconhecido, muito provavelmente Manuel do Nascimento Vargas, posteriormente pai de Getúlio. Em uma viagem à Bósnia com um circo italiano conhece o anarquista Ivan Korozec, integrante de uma antiga sociedade secreta russa. Isabel logo engravida e o casal tem um filho, Dimitri, que nasce com um indicador a mais em cada mão. Além disso, a gravidez não impediu a mãe de fazer suas apresentações no circo, e se supõe que as contorções que sofreu em sua barriga sejam a causa da personalidade extremamente desastrada do garoto, que o acompanha durante toda a vida.

Livraria Cultura
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Dimitri cresce sob influência do anarquismo do pai, que ao se mudarem para a capital Sarajevo passa a fazer parte da União ou Morte, grupo terrorista que busca a criação de uma Sérvia unificada e livre do domínio austro-húngaro. Após acompanhá-lo em uma reunião, o garoto conquista o respeito do fundador e líder da seita, Dragutin, e assim é mandado para a Escola de Assassinos aos quinze anos de idade. Lá descobre seu talento para a pontaria e tiro, além de se apaixonar por Mira Kosanovic, sua professora de toxologia. Deixa a escola dois anos depois a caminho de sua primeira missão: assassinar o arquiduque Francisco Ferdinando. A morte acaba ficando por conta de Gravilo Princip. Dimitri teria dado o tiro que desencadeou a Primeira Guerra Mundial, mas prende seus dois indicadores no gatilho e se vê impedido de pressioná-lo.

Com o desastre o acompanhando em tudo o que faz, Dimitri segue uma trajetória que o leva a presenciar e fazer parte de diversos acontecimentos do século XX. Passando por lugares como Paris, Hollywood, Chicago e Miami, acaba por conhecer grandes figuras da História como Marie Curie, Pablo Picasso, Al Capone e Roosevelt. Estabelece como meta de vida livrar o mundo dos tiranos; diversas são as vezes, contudo, que falha em seus objetivos devido principalmente aos pequenos detalhes nos quais seu jeito atrapalhado acaba por impedir seu sucesso.

Quando finalmente consegue chegar ao Brasil para cumprir uma promessa feita à mãe anos antes, Dimitri é tido por comunista em um incidente e acaba sendo preso. Aprende tudo sobre a vida do presidente brasileiro na prisão e descobre que laços de sangue os unem. Fica certo de que tudo pelo que passou até então e que toda a sua vida possui uma única finalidade: a morte do tirano Getúlio Vargas, meio-irmão de sua mãe.

Na biografia fictícia do assassino Dimitri Borja Korozec, Jô Soares brinca com a História e cria situações inusitadas a partir dela, que divertem principalmente aqueles que já possuem certo conhecimento a respeito da época na qual se passa a narrativa, e que podem se surpreender com a criatividade do autor ao inserir de maneira tão bem articulada os acontecimentos de sua trama em meio aquilo que realmente aconteceu. Além disso, o livro incita os curiosos a estudar mais profundamente o contexto histórico no qual ele é inserido, e por isso representa uma leitura divertida e possivelmente rica em conhecimento, que com certeza vale a pena.  

P.S.: o livro conta também com algumas imagens, que lhe garantem um ar ainda mais realista.

6 Comentários


  1. Julieeeeeee, que livro mucho louco!!!!!!!! Hahahahaha!
    Nem imaginava que era assim! Personagens esquisitonas hahahaha
    Mas muito bom saber, fiquei curiosa!
    Beijooooo!
    Nati

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    1. Fico feliz quando você comenta minhas resenhas, Nati! Que bom que gostou, tinha me esquecido que você é formada em história. Precisa muito ler esse livro!
      Abraços!

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  2. Antes de ler sua resenha achei que o livro era uma coisa totalmente diferente! hahahaha Sempre bom saber! E agora que você falou, tô aqui pensando se minha mãe trabalhou em circo durante a minha gestação, isso poderia explicar algumas coisas =P

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    1. Que legal, Luana! Hahaha Achei bem legal a maneira como arranjaram uma possível explicação pra personalidade desastrada do Dimitri.
      Obrigada pela visita no blog!

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  3. Fazendo uma analogia aos dias atuais no Brasil , devem existir (Mão Negra )que tem como objetivo tirar os tiranos do plano material e mandar para o inferno ….Quem sabe nosso querido líder tenha o mesmo destino do arquiduque Fernando Ferdinado .Lembrando que a História não é a mesma ,mas sempre apresenta os mesmos desejos e anseios !!!

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