Resenha O diário de Anne Frank

Saraiva
Saraiva

Anne Frank é uma garota alemã que mora com sua família na Holanda desde pequena. Com apenas 13 anos, começa a presenciar os horrores da Segunda Guerra Mundial e precisa se esconder em um anexo secreto, onde passa dois anos de sua vida ao lado de sua família, da família Van Dan e do Sr. Dussel.

A ideia de escrever um diário surgiu quando Anne escutou no rádio como seriam valorizados, após a guerra, relatos sobre o período pelo qual passavam. Ela começa então a escrever sobre sua vida no colégio, os primeiros dias no anexo, sua nova rotina, a relação entre as famílias que agora dividem o mesmo teto e também sobre suas frustrações por ser a mais nova e, portanto, a mais julgada e menos respeitada do esconderijo.

Anne é uma garota de personalidade forte e não se deixa influenciar na hora de formar suas opiniões. Observadora e sincera, reflete sobre tudo o que acontece a sua volta e também dentro de si. Com o tempo, seu diário se torna um melhor amigo; é com ele que compartilha desde coisas usuais, como sua rotina de estudos, até seus sentimentos mais profundos, como o medo da guerra, o anseio pelo ar livre e suas dúvidas e esperanças em relação ao futuro.

De certa forma, o diário nos apresenta uma perspectiva limitada da Segunda Guerra Mundial. Anne nos conta sobre as opiniões políticas dos adultos do esconderijo; sem contato com o mundo exterior, é através do rádio e dos funcionários do pai de Anne que eles recebem notícias sobre os países envolvidos na Guerra e também sobre o que acontece com seus conhecidos. Todos do anexo são muito gratos às pessoas que os ajudam a manterem-se escondidos e em segurança, mas é com pesar que eles passam os dias sabendo que vários de seus amigos e parentes não tiveram a sorte de também conseguir se esconder.

O diário nos mostra claramente o amadurecimento de Anne nesses dois anos. Agora não mais uma criança, consegue detectar e corrigir seus erros, e também ser mais paciente e compreensiva com os erros das pessoas com as quais convive. A relação com os pais, o sentimento por Peter, a amizade com a irmã, seus planos profissionais, a esperança e fé em Deus; Anne pensa e sente tudo de maneira intensa, e nos envolve mais e mais em sua vida a cada relato.

O diário de Anne Frank é leitura indispensável em questões literárias e também históricas. É emocionante acompanhar o modo como Anne cresce e a cada dia aprende mais sobre si mesma e sobre a vida. É impressionante como, com o passar do tempo, torcemos cada vez mais para que tudo fique bem com as pessoas do anexo, mesmo sabendo que o fim está próximo e isso infelizmente não vai acontecer. É com um aperto no coração que lemos o último relato de Anne, ainda acreditando em um destino bondoso para essa garota que deu o máximo de si para manter a coragem, força e esperança de uma vida melhor.

Com um desfecho que pode trazer lágrimas para uns e grandes reflexões para outros, O diário de Anne Frank é uma leitura que emociona, envolve e nos acrescenta a bagagem de uma juventude vivida na Segunda Guerra Mundial.

8 Comentários


    1. Na verdade ela nasceu na Alemanha, porém se mudou para Amsterdam com sua família quando tinha quase 5 anos de idade, devido a subida de Hitler ao poder como chanceler.

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    2. Mas, levando em consideração o costume do povo judaico, deveria ter me referido a ela no início do texto como “judia alemã”.

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