Resenha Harry Potter e a Criança Amaldiçoada (J.K. Rowling, John Tiffany & Jack Thorne)

Dezenove anos após a batalha de Hogwarts, uma nova aventura aguarda as personagens da saga Harry Potter, dessa vez com a participação de uma nova geração de bruxos. A história foi escrita em forma de roteiro, e a estreia da peça nos palcos aconteceu no dia 30 de julho em Londres. Causando muita ansiedade e expectativa nos fãs, o livro será lançado no Brasil no dia 31 de outubro pela Editora Rocco, mas esta em pré-venda desde agosto.

Casado com Ginny, Harry trabalha no Ministério da Magia e é pai de três filhos. James Sirius, o primogênito, é popular e foi escolhido para a casa de Grifinória pelo Chapéu Seletor; Albus Severus é dois anos mais novo que o irmão, esta a caminho do seu primeiro ano em Hogwarts e com receio de ser mandado para Sonserina; Lily é a caçula, dois anos mais nova do que Albus e muito parecida com sua mãe. A primeira cena do roteiro é a continuação do epílogo do sétimo livro da saga. Nela, entramos em contato com Ron e Hermione, além de sua filha Rose que também esta a caminho de seu primeiro ano na escola de magia, e o caçula do casal, Hugo.

Saraiva
Saraiva

Ansiosos para saber com quem farão amizade no Expresso de Hogwarts, Albus e Rose dão de cara com Scorpius Malfoy logo no primeiro vagão onde entram. Filho de Draco, o garoto é vítima de um boato que diz que seu pai na verdade é o Lorde das Trevas, o que faz com que ninguém queira ficar perto dele. Rose tenta convencer Albus a procurar com ela outro vagão, mas ele não vê problemas em continuar ali com Scorpius, para a frustração de Rose, que os deixa a sós. Esse é o início de uma grande e improvável amizade, que cresce a cada ano.

Após ser selecionado para a casa de Sonserina, Albus se torna tão rejeitado e excluído quanto Scorpius, o que apenas fortalece a amizade dos dois. Sua relação com seus familiares e os amigos da família começa a se deteriorar, uma vez que o garoto passa por coisas que ninguém parece entender. Nem mesmo seu pai, que tanto sofreu durante seu período escolar, consegue conversar com Albus, e o abismo da relação pai e filho não reflete a grande semelhança que eles parecem possuir.

No início de seu quarto ano em Hogwarts, Albus descobre que o Ministério da Magia esta em posse daquele que parece ser o último vira-tempo, e que Amos Diggory, pai do garoto que morreu no Torneio Tribruxo por causa de Harry anos atrás, quer usá-lo para impedir a morte do filho. O garoto fica indignado com o fato de seu pai recusar isso ao homem, e decide agir com as próprias mãos. Após elaborar um plano de fuga do Expresso Hogwarts com Scorpius, os garotos e a prima de Cedrico, Delphi, invadem o Ministério transfigurados de Harry, Ron e Hermione, dando início a uma aventura repleta de viagens no tempo, além de amostras assustadoras do que a interferência no passado é capaz de fazer.

Repleta de plot twists, a história do oitavo livro da saga me causou efeitos de bastante confusão principalmente no início da leitura, uma vez que demorou até eu me livrar daquela expectativa de ler algo a altura dos outros sete livros. Essa expectativa é equivocada, uma vez que como roteiro de peça teatral, a construção das personagens e a maneira como as cenas ocorrem é bem diferente do que seria em um romance. Uma vez que me livrei de tal expectativa, consegui ler e até mesmo gostar do livro – em certos momentos – pelo que ele é: uma peça de teatro.

Três pontos negativos, contudo, se destacaram durante minha leitura. Primeiramente, depois de sete livros/filmes nos quais Harry Potter tanto faz para livrar o mundo de Voldemort, e após tantas personagens que morreram em nome dessa causa, é muito difícil aceitar um oitavo livro que aparece para interferir com o desfecho já tão bem realizado por J.K. Rowling em Harry Potter e as Relíquias da Morte. Além disso, considero insuficiente o propósito de Albus e Scorpius em impedir a morte de Cedrico. Esse propósito leva a complicações inimagináveis na história, e eu não conseguia deixar de me perguntar POR QUE ISSO?, uma vez que tantas pessoas também morreram por causa de Voldemort, e os garotos deveriam saber que interferir no tempo, ainda mais tantos anos atrás, pode ocasionar grandes mudanças na realidade atual que se conhece. Apenas salvar Cedrico – não me levem a mal – não pareceu suficiente para correr um risco tão grande. Em terceiro lugar, aqueles que conhecem bem a saga perceberão que as expressões e ações das personagens não se identificam com aquelas contidas nas histórias anteriores, quase como se esse livro não possuísse a essência de Harry Potter. A cada página eu esperava encontrar pelo menos um pouco daquilo de tão especial e emocionante que a saga possui e é capaz de proporcionar, e tudo o que encontrei foram personagens e uma realidade que não apenas diferem da original, mas também decepcionam.

Apesar de tudo, a leitura de Harry Potter and the Cursed Child (título original) foi prazerosa e muito válida. Considero que, apesar dos pontos negativos, os fãs não devem ter tanto receio de dar uma chance para a história, ainda mais sabendo que ela foi escrita para ser encenada, o que só isso já é sensacional. Ainda assim, há algo ao meu ver que parece fato: por mais que se goste da leitura do roteiro, o título de Oitavo Livro da Saga é grandioso e talvez nunca venha a ser aceito no coração dos fãs de Harry Potter. Isso quem diz é uma pessoa que começou a ler os livros apenas esse ano.

4 Comentários


  1. Oiii Ju!
    Também já li o livro e não gostei tanto assim…
    Eu sei que é uma peça de teatro, mas não achei que isso se traduziu bem num livro (como peça, acho que o efeito deve ser outro, muito interessante). Digo isso porque tenho o costume e gosto de ler peças de teatro, acho que elas podem dar bons livros.
    Entendo que vendam este livro como sendo “o oitavo HP” (é isso que vai vendê-lo mais), porém, sabemos que não é. Falta a escrita da Joanne, as descrições, as complexidades.
    Olha, Albus e Scorpius quererem salvar o Cedrico é muito ?????????????. Tipo, por que não tentar salvar o Dumbledore? O Sirius? Mas o Cedrico?! Achei muito WTF… hahahaha! Como vc, considerei uma motivação insuficiente para o desenvolvimento da história.
    Dito isto, gostei muito do Scorpius como personagem, e gostaria de ter visto mais da Rose.
    Enquanto lia, estava achando ok, legalzinho. Fiquei presa à leitura na parte final, em Godric´s Hollow. Mas, passados alguns dias da leitura, acho que posso afirmar que não curti, apesar de ter pontos positivos sim. 🙁
    Beijooooo, gostei muito da sua opinião!
    Nati

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    1. Concordo com você, Nati! Os dias passaram e eu percebi que gostei menos do que achei que tinha gostado.
      Eu não tenho muito o costume de ler peças de teatro, mas tudo nesse roteiro parece não encaixar, não fazer sentido.
      Não vai passar de apenas mais um artefato na estante de um fã, porque parte da saga mesmo ele não é.
      Enfim, também queria ter visto mais da Rose, achei que ela teria mais participação na história por ser da mesma idade de Scorpius e Albus.
      A boa notícia é que comprei o sexto livro da saga!!! Faltam mais dois para terminar de ler e cumprir uma das minhas metas pra 2016 😀 E algumas resenhas também, que como sempre estão atrasadas uahuaha
      Beijos, obrigada por ler e comentar!

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  2. Ainda não li esse livro, mas não estou muito animado. Vou pegar com meu irmão pra poder ler e decidir se compro para minha biblioteca!

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    1. Sábia escolha! A verdade é que eu estava muito mais feliz por possuir o livro antes de ter lido :/

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