Resenha filme O doador de memórias

Jonas vive em uma sociedade ideal, onde não há desigualdade, preconceito, violência, guerras e sofrimento; em compensação, qualquer possível causa de desequilíbrio e discórdia entre as pessoas foi exterminada, e os anciãos cuidam para que a estabilidade reine na pequena comunidade. Logo, não existem mais as emoções, as cores, os animais, a música, a diversidade e a busca pela felicidade e ideais próprios. A vida funciona de maneira pacata, estável e perfeita.

Quando atinge a idade de ser designado à profissão que exercerá pelo resto de sua vida, com base em características meticulosamente observadas desde seu nascimento, Jonas se vê muito mais aflito e preocupado que seus amigos. Em seu íntimo, tem receio de não ser normal e, por isso, não possuir talento algum que beneficie a sociedade. Após um susto na cerimônia de designação, quando a chefe dos anciãos pula seu nome da lista e o deixa para o final, causando apreensão em todos os conhecidos do garoto e um extremo nervosismo a ele, finalmente descobre que será o próximo receptor de memórias, profissão um tanto quanto misteriosa, exercida por uma única pessoa.

Logo recebe as instruções de sua nova rotina, e no dia seguinte se apresenta ao antigo receptor, que agora lhe transmitirá todo seu conhecimento atuando como doador de memórias. Jonas descobre que a vida era completamente diferente há algumas gerações, e o receptor é o único encarregado de tomar conhecimento da história da humanidade e então auxiliar as pessoas da sociedade atual com conselhos baseados em uma sabedoria adquirida através do passado. Logo no primeiro dia de trabalho, o garoto tem um grande impacto com a primeira memória que lhe é transmitida, onde pode ver a neve, não mais existente naquela aldeia onde até a natureza e o clima são controlados de modo que o equilíbrio e normalidade prevaleçam.

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Ma_Co2013 (Flickr)

O jovem deixa de tomar as injeções matinais obrigatórias a todos, adquire aos poucos a capacidade de ver as cores de seu mundo, e então decide compartilhar parte de suas descobertas com Fiona, sua melhor amiga, por quem descobre estar apaixonado. Ao entrar em contato com o que havia de melhor no mundo, Jonas não consegue entender o motivo de as coisas não serem mais da mesma forma, ou de as pessoas de sua sociedade serem privadas de uma existência tão fascinante e intensa. Entretanto, chega a hora de receber do doador as memórias que fizeram com que as coisas precisassem ser tão drasticamente alteradas, e o novo receptor fica horrorizado ao vivenciar cenas de guerra, violência e morte.

Ao descobrir que muito é ocultado na sociedade em que vive, e se confrontar com o grande dilema de libertar ou não a aldeia das mentiras e limitações do mundo atual, Jonas decide que apesar de toda a negatividade que presenciou através das memórias, o lado do bem é capaz de compensar todo o mal, e as pessoas merecem a experiência única que é uma vida com sensações e sentimentos. Os anciãos notam que o jovem começa a alterar a ordem das coisas a seu redor, mas decidem intervir tarde demais; ele consegue passar os limites da aldeia, e agora está em suas mãos o destino da humanidade.

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Ma_Co2013 (Flickr)

Com a ideologia apresentada em O doador de memórias, é impossível não nos recordarmos de 1984 (George Orwell) ou Admirável mundo novo (Aldous Huxley). O filme foi baseado no livro de mesmo título do autor Lois Lowry, e levanta questionamentos e reflexões a respeito do sentido da existência, o sistema que nos controla e a injustiça tão eminente no mundo em que vivemos. É inevitável a todos enfrentar dificuldades na jornada da vida, mas elas costumam ser equilibradas com bons e proveitosos momentos; entretanto, muitos ao menos conhecem uma realidade onde não existe guerra, sofrimento, dor e exploração. Em um mundo onde até crianças são privadas de sua infância, será mesmo justo pensar que isso é compensado pelos bons sentimentos e sensações desfrutados pelos mais favorecidos?

Com acontecimentos atropelados e o desenrolar um tanto quanto corrido, a ideia bem elaborada de O Doador de Memórias não foi produzida de maneira tão instigante quanto poderia ter sido na adaptação ao filme. Resta saber se no livro a história foi bem desenvolvida e os aspectos filosóficos melhor elaborados. Contudo, em meio a tantas produções atuais vazias de conteúdo, essa é uma que definitivamente vale a pena conferir.

16 Comentários


  1. Oi, Julie!
    Vi que vc passou no blog e deixou um comentário, obrigada.
    Há pouco tempo resenhei o livro dO doador de memórias, e achei a mesma coisa que vc: a ideia é boa, mas não se concretiza muito bem. Deixa a desejar a parte filosófica que vc também sentiu falta.
    Beijos!
    Natasha

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  2. Olá Julie!
    É um prazer falar com você.
    Você escreve bem. Só recomendo reler mais de uma vez para enxugar mais e o texto ficar mais leve e ainda mais direto. Um dos maiores textos que conheci – lendo e pessoalmente – Carlos Drummond de Andrade recomendava a simplicidade como o melhor para o bom escritor.
    Temos a mesma opinião sobre “O Doador de Memórias”. Apenas acho que, logo de cara, a resenha tem que ter uma opinião para chamar a atenção do leitor. Tipo: O livro “O Doador de Memórias” não foi adaptado para o cinema de maneira tão instigante quanto poderia ter sido. É a história….
    Sei que a maioria das resenhas começa com a história do filme, deixando as opiniões para mais adiante. Mas, principalmente nas redes sociais, acredito que funciona melhor da maneira que proponho…. hehehe… também estou experimentando essas novas formas de expressão…
    Bom abraço!

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      1. Mt bom mais vc fugio do assunto de uma resenha.vc acabou fazendo um “resumao” sobre o filme . Fica a dica para vc melhorar . Nao digo que esta ruim continue assim mais acressente algo a mais .

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        1. Mas eu digo que seu português é ruim. Antes de criticar, saiba pelo menos conjugar o verbo fugir 😉
          E é acrescente!

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  3. O doador de memoria fala do controle do ser a controlado deixado a ser condicionado e separado de que vivemos num de efetividade e humanizado, essa aldeia tira todo o direito que querem condicionar as pessoa através do idealização do capitalismo que controla o mundo dentro do pensamento genérico a condição que o governo empoem ao mundo globalizado. agradeço.
    att. Jecildo oliveira Macedo/92993171204 – Manaus.

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  4. Boa noite Julie

    Parabéns pelo trabalho, mesmo que este tenha sido prazeroso.
    Consegui verificar semelhanças entre o livro e nossa realidade, através de alguns comentários.
    A vida segue, como o show de Truman, e a preguiça física ás vezes vem acompanhada da intelectual.

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    1. Boa noite, Sebastião

      Com certeza esse é um trabalho prazeroso para mim. Ainda assim, o bom é nunca deixar de buscar desafios e desenvolvimento, e é o que tento fazer com minha escrita (mesmo que de simples resenhas).

      Há sim muita semelhança com o livro/filme e nossa realidade. Geralmente essas utopias/distopias contém muitos elementos que não apenas podem vir a se tornar realidade no futuro, como já fazem parte do presente.

      Falando em Show de Truman, esse é um filme que ainda não assisti mas quero muito!

      Muito obrigada pela visita e comentário! Abraços.

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  5. Muito gostei muito do resumo, me ajudou muito na compreensão do filme.

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  6. Minha prof mandou a minha sala fazer uma resenha crítica desse filme, obg, agr é só fazer a crítica XD

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