Resenha filme Faroeste Caboclo

Cultura Mix
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Alguns dias antes de assistir Faroeste Caboclo ouvi uma crítica muito negativa sobre o filme, o que me deixou um pouco abalada. Como grande fã de Legião Urbana que sou, contudo, jamais deixaria de conferir o trabalho com meus próprios olhos e tirar minhas conclusões sobre ele. Devo dizer que não me arrependi por isso.

Para as pessoas que acham que o enredo do filme deveria ter seguido a letra da música exatamente como ela é vou logo dizendo: não sejam iludidas. É claro que Faroeste Caboclo é uma das melhores composições de todos os tempos, porém cinema e letra de música são coisas muito distintas. O filme teve a música como base, porém foi preciso criar todo um drama e fazer certas mudanças para melhor entreter e emocionar o público; mudanças essas que, em minha opinião, não atrapalharam em nada na hora de identificar o filme com a história original.

Como a maioria deve conhecer a composição de Renato Russo, acho que, mesmo com as mudanças, não preciso falar muito sobre a história contada pelo filme. A verdade é que ela não me prendeu logo de início; foi preciso certo tempo até que me sentisse totalmente envolvida pela trama, mas era algo impossível de não acontecer. O filme é bem característico da década de 80, apesar de não se relacionar com a ditadura militar, e não esconde a realidade na hora de retratar o racismo e disparidades sociais. Ele é inclusive bastante pesado em determinadas cenas, principalmente na questão da violência e uso de drogas. Pude sentir na pele o sofrimento e desespero de João, além de ter me apaixonado por sua relação nada clichê com Maria Lúcia (os atores também estão de parabéns). Até Jeremias acabou me impressionando por seu papel, e seu jeito todo cretino e mimado chegou a me divertir em determinados momentos.

O rock de Brasília está presente em duas cenas do filme, e eu achei muito legal a ideia de as personagens irem a uma apresentação do Aborto Elétrico e Plebe Rude, o que acabou criando um laço maior entre elas e seu criador, Renato Russo.

Por fim, devo dizer que, apesar de ter fugido da versão original, o desfecho da trama foi algo que me surpreendeu, agradou e emocionou bastante. No geral, não há como Faroeste ser considerado um filme ruim, principalmente para os fãs da música que sempre desejaram que a adaptação dela fosse feita. Eu, apesar de ter ficado com um pé atrás no começo do filme, acabei me envolvendo com ele e tiro o chapéu para sua produção.

P.S.: essa resenha foi escrita quando o filme ainda estava sendo exibido nos cinemas.

2 Comentários


  1. Oii Ju!!!
    Também ouvi críticas bastante negativas sobre o filme, mas ainda não o assisti para tirar minhas próprias conclusões.
    O pessoal cria expectativas de que um formato deve ser IGUAL ao outro (tipo livro e filme, ou no caso, letra de música e filme), e obviamente nos deparamos com adaptações. São linguagens diferentes e, portanto, os roteiros são diferentes.
    Gostei de vc ter destacado as referências ao rock de Brasília nos anos 1980 que estão no filme! 🙂
    Beijooo!
    Nati

    Responder

    1. Essa parte do rock de 80 foi uma das coisas que eu mais gostei no filme, com certeza.
      Obrigada por sempre ler minhas resenhas, Nati! Adoro seus comentarios.
      Beijos!

      Responder

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