Resenha filme Expresso do Amanhã

Após a falha em um experimento para conter o aquecimento global, que havia atingido seu ápice, o planeta Terra congela por completo, se tornando inabitável para os seres humanos. Os sobreviventes passam a viver a bordo de um trem autossustentável criado por um cientista. Seguindo uma linha que interliga diversos países, o trem completa sua volta no período de um ano; além disso, ele possui uma grande quantidade de vagões, divididos em classes sociais pelo inventor da locomotiva e ditador da nova realidade humana.

LOUCOSPORFILMES.net
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Prestes a completar 18 anos a bordo e com algumas revoltas fracassadas por parte dos pobres do último vagão, um grupo liderado por Curtis (Chris Evans) se organiza com o apoio do ancião Gilliam (John Hurt) para uma revolução contra as classes mais afortunadas do trem e toda a violência e humilhação que sofrem por parte dos oficiais. E o sofrimento não é pouco; além de algumas crianças que periodicamente são tiradas a força de seus pais para nunca mais voltarem a fim de fazer sabe-se lá o que nos vagões dianteiros, o único alimento ao qual eles tem acesso, de maneira controlada, é uma barra de proteína preta e gelatinosa, que ninguém sabe do que é feita mas que ao menos impede a morte causada pela fome. O último vagão não tem janelas e qualquer tipo de regalia; as pessoas que nele vivem não têm direito de tomar banho e se acomodam em meio a uma enorme bagunça e sujeira. Além do mais, qualquer desobediência é reprimida com uma extrema violência, e aquele que comete uma infração mais grave tem como punição ficar com determinado membro de seu corpo exposto ao frio do lado de fora do trem, para então o ter quebrado em pedaços congelados em frente a todos do vagão.

O filme (de título original Snowpiercer) possui um contexto político e filosófico incrivelmente trabalhado. Além do choque que nos causa a maneira como são tratados os pobres, fica também evidente como os ricos são fúteis, alienados e controlados como marionetes pelo ditador do trem, Wilford. Muitas mortes ocorrem em meio a uma revolução que ninguém, nem mesmo Curtis, sabe se vai dar certo, e as cenas de luta são pesadas e ao mesmo tempo emocionantes. É inevitável para aqueles que realmente se envolvem com o filme refletirem e questionarem a respeito não somente da possibilidade de um futuro apocalíptico, como também da nossa atual realidade, que de modo geral e em todo o mundo é na maioria das vezes injusta principalmente devido a divisão de classes sociais baseada em condições financeiras.

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Impressiona até a mim dizer isso, mas posso afirmar com quase certeza que essa foi a primeira vez que não me vi entediada ou com sono diante de cenas de ação; muito pelo contrário, eu adorei! Nunca me envolvi tanto com um filme desse gênero, e em diversos momentos me peguei de boca aberta com a maneira como ele foi produzido. Ele é capaz de nos causar uma tremenda aflição (pelo menos nas pessoas que, como eu, ficam aflitas com cenas de massacres violentos), mas sabe muito bem equilibrar a ação com momentos um pouco mais leves, por isso não se torna pesado ou repetitivo. Aliás, com mais leves eu não quero dizer menos angustiantes. O filme todo envolve de tal forma que é impossível não desejar ardentemente descobrir como tudo irá terminar, e apesar de relativamente longo, não é nem um pouco cansativo. A escolha do elenco é outra coisa que não posso deixar de elogiar, a atuação conseguiu garantir ainda mais realismo e profundidade a toda produção.

A história possui drama psicológico e conta com uma distopia que nos impressiona e inevitavelmente leva a diversas reflexões, tanto durante quanto após o filme. O desfecho, inclusive, é aberto e pode ser interpretado de diversas maneiras. Não deixei de pensar em como seria ótimo se o filme tivesse uma versão em livro, mas depois descobri que ele na verdade foi baseado em uma história em quadrinhos francesa (Transperceneige) e tudo voltou a fazer sentido na minha vida novamente. Se a adaptação tivesse sido baseada em um livro eu provavelmente não teria me decepcionado, pois para mim ela não poderia ter sido feita de maneira diferente e melhor em nenhum aspecto.

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Ainda me perguntando como não ouvi falar desse filme previamente, fico feliz em ter ido assistir sem ao menos ter visto o trailer e com quase nada de expectativa. Continua sendo impossível para mim elogiar dignamente a produção, expressar quão impressionada fiquei e tentar transmitir através de palavras todas as correntes de pensamento possíveis de se seguir com base no contexto da trama. Portanto, só me resta recomendar a todos que assistam. Aproveitem enquanto esta passando nos cinemas, optem pelo áudio original e vivam uma experiência incrivel com o filme Expresso do Amanhã.

P.S.: O filme na verdade é de 2013, mas só chegou aos cinemas brasileiros na última quinta-feira (27 de agosto de 2015). Ele é dirigido pelo diretor sul-coreano Joon-Ho Bong.

13 Comentários


  1. O filme foi uma grande obra de arte,na minha opinião o filme é joia acho que deveria ter uma continuação e mais pedras de kronol.

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    1. Nao sei se sou a favor da continuacao, mas tambem considero o filme uma obra de arte!

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  2. O final desse filme foi fantástico e ao mesmo tempo aflitivo. Fantástico porque trabalhou com o conceito de reinicio da humanidade, de uma nova gênese. Aflitivo porque nos faz indagar de que maneira eles irão sobreviver? É bem verdade que nem todo tipo de vida morreu e provavelmente deve ter partes do planeta que de alguma maneira não foram congeladas, mas ainda assim, como eles irão chegar até esses locais? Mas acho que isso é que torna o filme tão especial, pois ele nos faz pensar e refletir a maneira como lidamos com o amanhã.

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  3. Me ajude nas questões sobre o filme o expresso do amanhece
    1°) quais as relações que o autor deste filme estabelece entre pode e população?
    2°) quais asdevantagens de um elevado crescimento populacional ?
    3°) qual cena do filme lhe chamou mais atenção?
    4°) qual a diferencia entre o crescimento e o desenvolvimento da cidade?
    5°) é necessário manter a humanidade sem da pode ao povo com vimos no filme?
    Me ajudem com as respostas de cada um

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  4. Vamos lá. Achei o filme frustante e incrivelmente raso. Por que? Primeira falha do filme é a falta de inovação – traz uma história amplamente recontada sem incrementar com algo próprio; vi alguns elementos de V de Vingança, certos aspectos remetem à Blade Runner, e por fim reconta o Preço do Amanha com outro pano de fundo (talvez seria o caso de citar Elysium mas como o lançamento de ambos foi próximo prefiro não fazê-lo).

    Certo. Mas é só nisso que o filme erra? temo que não. O enredo desperdiça diversas oportunidades de consolidar a crítica social. E um momento que ilustra isso é quando o protagonista conta como foi o primeiro dia. Eu vi ali uma chance de dizer que ele (assim como os demais passageiros do fim do trem) era da classe média, ou da classe média alta, vi que ele poderia ter dito que o pai dele era médico ou engenheiro. Representando uma crítica contundente com relação à sociedade atual, na qual 1% da população detém 99% da riqueza. Nesse caso, poderia haver uma inspiração em De olhos bem Fechados. Poderia ter sido melhor aproveitada a questão da droga, com referências à Guerra do Ópio – a classe mais baixa não tem acesso à droga, muito embora sua produção ser aparentemente fácil (o uso da droga como ferramenta de alienação social foi brilhantemente empregado em Admirável Mundo Novo).

    Por fim, o desfecho me pareceu ter tirado todo o propósito da história – não vi nenhuma mensagem ali. Talvez se o diretor não tivesse matado todo mundo e o cenário desse a entender que dali em diante teria tudo de sobra, para todos os sobreviventes, Talvez…

    Pra mim o problema maior do filme é ser o oposto de original e ser muito esquecível.

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    1. Olá Celso,
      Agradeço por ter compartilhado sua opinião de maneira educada, se um dia eu assistir esse filme novamente, tentarei prestar atenção nos aspectos/falhas que você apontou.
      Sempre bom ver uma opinião que difere da nossa.
      Abraços!

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  5. Tentei entender e entendi, tentei gostar, não gostei, tentei mudar de ideia me enganei. De tanto tentar assiti e por assisti pedi o tempo…

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