Resenha filme Cidades de Papel

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O filme Cidades de Papel chegou aos cinemas brasileiros no dia 9 de julho, e eu estava sem entender o motivo de tanto alvoroço pela adaptação de um livro que para mim é somente mais um sem muito diferencial do estilo teen. Após a empolgação com A culpa é das estrelas, li esse e Quem é você, Alasca?, e acabei não gostando muito de nenhum dos dois. John Green e Nat Wolff vieram pro lançamento no Brasil, e esse foi o tema mais comentado pelos blogs literários no início desse mês, enquanto eu estava pensando que só assistiria caso um dia surgisse uma oportunidade inusitada e eu não tivesse nada melhor pra fazer.

A oportunidade acabou surgindo muito antes do que eu imaginava, e assisti ao filme diretamente da tela do cinema. Sem grandes expectativas, li em outras resenhas que a produção tinha modificado um pouco a história original, e pensei que talvez isso a tivesse tornado mais interessante. Não me enganei; o filme Cidades de Papel conseguiu dar uma ênfase muito maior na perspectiva de vida que, em minha opinião, o livro tenta transmitir sem muito sucesso.

Para quem ainda não conhece a história, ai vai um resumo: Quentin (finalmente aprendi a pronunciar esse nome) é apaixonado por sua vizinha, Margo, desde que ambos eram crianças e, na época, amigos. Eles crescem e acabam se afastando, até que certa noite ela invade a janela do seu quarto pedindo o carro emprestado e sua companhia em uma missão de vingança contra o ex-namorado e alguns amigos que a traíram. Apesar da relutância em participar de algo que parecia até mesmo marginal, Q (maneira como geralmente é chamado) aceita e tem a melhor noite de sua vida ao lado daquela rebelde e misteriosa garota. Com esperanças de que a súbita aproximação mudaria tudo na relação entre os dois antes do término do colegial, no dia seguinte descobre que Margo fugiu de casa, e ao achar pistas de seu paradeiro decide segui-las acreditando que ela quer ser encontrada por ele. Nessa jornada, Q conta com seus melhores amigos Ben e Radar, além de Lacey, melhor amiga de Margo, e Angela, namorada do Radar. Juntos, embarcam em uma viagem onde vivem novas experiências e momentos inesquecíveis.

O filme é leve e divertido (com destaque para a cena em que os três melhores amigos cantam a abertura de Pokémon), e conta também com uma trilha sonora incrível. Ele trabalha muito bem o entrosamento das personagens e seu desenvolvimento ao longo da história, o que, na minha opinião, não acontece no livro e acaba tornando tudo um pouco vago e sem sentido. Há também a crítica de Margo ao modo como as pessoas deixam de aproveitar o presente em busca de uma felicidade e realização pessoal convencionais, seguindo o clássico script de se formar na faculdade, casar, ter filhos e etc. Com suas atitudes ela mostra a Quentin que não precisa ser assim e que a vida não se resume somente a isso. O melhor de tudo, Margo perde esse ar de “garota egoísta, misteriosa e revoltada sem razão alguma”, que me fez odiá-la no livro, para assumir o papel de alguém que quer se encontrar sem a pressão da sociedade para que siga o caminho considerado adequado e mais seguro. Quentin percebe isso e igualmente descobre mais sobre si mesmo, além de se tornar mais confiante em relação a encontrar o próprio caminho.

Busquei enfatizar os elogios à produção porque realmente achei que fizeram um bom trabalho na adaptação dessa obra de John Green, mas é claro que ela é voltada para o público adolescente, e na verdade não é nada além de mais um filme que retrata essa fase de descobertas, mudanças e decisões, mas que conseguiu se sair muito bem nisso. 

P.S.: Com exceção da voz de Margo, a dublagem no geral até que não esta ruim, mas aconselho a optarem pelo áudio original porque isso sempre contribui para que as piadas sejam mais engraçadas (nesse caso, isso é algo que conta muito).

6 Comentários


  1. Eu adorei ler essa historia, eu gostei quase tanto quanto A CULPA É DAS ESTRELAS. Me fez pensar em muitas coisas e mudar minhas perspectivas de vida, tudo parece tão diferente depois de ler ele. É um livro que (particularmente) me apaixonei e recomendo a todos. Relerei ele varias vezes ainda. O filme foi fiel a historia e isso eu achei demais. Adorei seu blog, já deixei em meus favoritos.

    Meu blog: http://www.umcontainer.com

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