Resenha Fahrenheit 451 (Ray Bradbury)

Publicado em 1953, Fahrenheit 451 é o futuro distópico imaginado por Ray Bradbury, onde os inimigos dos homens são os livros e os bombeiros servem não para apagar incêndios, mas para incendiar casas onde são descobertos livros escondidos. A história possui uma visão futurística e preocupada a respeito da tecnologia e seu papel na sociedade, além da possibilidade de um dia os seres humanos se tornarem quase que totalmente alienados por conta dela (vidente?). Uma adaptação foi lançada em 1966, mas eu ainda não tive oportunidade de assisti-la.

Guy Montag é um bombeiro que aparentemente segue a risca e sem questionar o propósito de seu trabalho. Ele é casado com Mildred, uma mulher vazia e totalmente viciada em televisão e pílulas para dormir. Toda a sua vida esta na TV, inclusive uma família virtual, e seu maior desejo é uma quarta parede na sala com mais uma tela gigante para satisfazer todas as suas necessidades sociais.

Mima Pumpkin
Mima Pumpkin

Certo dia Montag estava voltando para casa após um dia de trabalho quando encontra na esquina sua nova vizinha, a jovem Clarisse. Ela faz perguntas e comentários a respeito de seu trabalho como bombeiro, além de outras coisas aparentemente sem sentido e sobre as quais ele nunca tinha escutado alguém falar antes. Ele se encontra com a jovem mais algumas vezes, até que ela e sua família simplesmente desaparecem.

A partir disso, Montag passa a ter uma grande curiosidade a respeito dos livros, e o motivo pelo qual algumas pessoas denunciadas escolhem ser queimadas junto com eles. Ele rouba um livro durante um incêndio na casa de uma mulher que se recusou a abrir mão de sua biblioteca secreta, e decide pela primeira vez ler e descobrir o que de tão precioso contém aquelas páginas para terem-se tornado perigosas e odiadas pelas pessoas e autoridades. Ele começa a pensar, e muito muda em sua vida a partir de então.

Fahrenheit 451 segue a mesma linha de livros como 1984 (George Orwell) e Admirável Mundo Novo (Aldous Huxley), mas com um foco maior na importância dos livros, grande paixão de Ray Bradbury. Além disso, o romance distópico de ficção científica soft que tem como título a temperatura de combustão do papel ainda aborda questões como a tirania dos governos, manipulação, alienação e um grande projeto de designar a poucas pessoas uma vida supostamente perfeita e alheia a guerras e quaisquer outros problemas que estejam afetando o restante do mundo.

A edição que li (60th Anniversary Edition, em inglês) contém quase 100 páginas com comentários de críticos e do próprio autor; sem saber disso, me surpreendi ao perceber que o livro na verdade era bem mais curto do que eu imaginava, e demorou até eu entender que não teria nada além daquele desfecho aparentemente tão prematuro.

A história em si não foi uma decepção para mim, e logo de cara pude compreender o motivo pelo qual ela se tornou tão famosa ao longo do tempo. O autor teve a visão inteligente de um possível futuro baseado no que ele percebeu logo no início do desenvolvimento da tecnologia, e soube dar uma importância incomparável e totalmente real aos livros, além de uma ênfase em como a maioria dos seres humanos talvez seja capaz de se abster deles sem ao menos pensar em tudo o que estará perdendo ao fazer isso. Ou seja: tornar as pessoas alienadas não é tarefa difícil, e Bradbury conseguiu enxergar isso ainda em 1947, quando o conceito original da história começou a tomar forma.

Contudo, fiquei com a sensação de que faltou uma explicação mais detalhada a respeito da realidade imaginada pelo autor; isso não é necessariamente um defeito, principalmente se você se sentir incitado a imaginar e continuar refletindo mesmo após o término do livro. Comigo a questão foi um pouco mais complicada, porque o inglês era mais complexo do que o esperado e a falta de explicações só piorou as coisas (apesar dos comentários nas páginas finais que reforçaram o contexto geral da história que eu já tinha assimilado). Acabei ficando confusa, além de muito ansiosa para terminar logo a leitura e definir de uma vez por todas o que eu tinha entendido ou não. Talvez seja o caso de fazer uma releitura daqui um tempo, em português ou até mesmo em inglês (quando o meu estiver melhor do que atualmente). Ainda assim, a experiência foi muito válida, e essa é uma leitura extremamente recomendada para os apaixonados por livros, pois Fahrenheit 451 pode ser considerado uma grande homenagem a todos eles.

5 Comentários


  1. Oiii Ju!!!!!!
    Olha só, das distopias clássicas, Farenheit 451 é COM CERTEZA a de que menos gostei. A ideia é sensacional mas, para mim, o Bradbury não conseguiu desenvolvê-la tão bem quanto ela merecia.
    Acho que ele deixa muitas pontas soltas (pô, a Clarisse some DO NADA e nada é explicado a esse respeito!), e não resolve bem.
    Estou lendo agora um livro de contos dele e a sensação é a mesma. Acho que realmente não gosto do jeito que o autor escreve. 🙁
    Gostaria de ler essas páginas extras comentadas pelo autor, talvez melhorasse um pouco a impressão que tenho do livro…
    Beijooo, gostei dos pontos que vc ressaltou!
    Nati

    Responder

    1. Fiquei muito com essa sensacao de pontas soltas, Nati! Principalmente ao ver que o livro era bem menor do que eu esperava. Fiquei me perguntando: “como assim ele nao vai explicar nada alem disso?!”
      Sem contar que a parte mais legal das distopias (para mim, o mundo no futuro visto e imaginado pelo autor) ele na verdade mal explicou, e lendo em ingles foi ainda mais dificil de entender como as coisas funcionavam.
      Ainda nao li alguma outra coisa desse autor, mas farei quando tiver oportunidade e ai da pra formar melhor uma opiniao a respeito da escrita dele.
      Obrigada pela visita no blog!
      Beijos

      Responder

  2. No primeiro livro que li em inglês também fiquei um pouco confusa com o final da história, uma vez que ele é algo ambíguo, então baixei o pdf da versão em português para ler o final e confirmei que de fato o final era ambíguo e que a intenção da autora era justamente motivar o leitor a formular teorias sobre as personagens.

    Não sou muito fã de distopias, mas Farenheit parece bastante interessante. Quem sabe um dia eu o leia?

    Beijos!

    Responder

    1. Verdade, Thais. Ler um livro em outra lingua acaba dando essa inseguranca mesmo, ficamos sem saber se realmente conseguimos entender a historia e o final, mas as vezes acaba nem sendo tao complicado assim.
      Acho que voce deve tentar ler um dia, principalmente se é apaixonada por livros!
      Obrigada pela visita!

      Responder

  3. Muito obrigado por compartilhar a sua resenha. Eu gostei o livro de Ray Bradbury porque é uma história que parece profética no mundo atual. Faz pouco vi que um filme deste livro será lançado. Eu gosto muito das adaptações deste tipo. É excelente que não deixem a historia no livro e a adaptem aos filmes drama. Tenho certeza que eu vou gostar. A verdade adorei que tenham feito este filme. Considero que um fator que vai fazer deste um grande filme será a atuação de Michael B Jordan, seu talento é impressionante. Já quero ver. Espero que seja bom porque essa história e uma das minhas favoritas.

    Responder

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *