Resenha Eu, Você, e a Garota que Vai Morrer (Jesse Andrews)

O livro Eu, Você e a Garota que Vai Morrer, de Jesse Andrews, é bem diferente da maioria dos livros adolescentes que encontramos por ai. Nele temos como narrador o jovem Greg, que já esta no último ano do Ensino Médio e ainda assim passa a maior parte do tempo tentando não ser odiado por ninguém na escola, dividida em grupos que não se misturam de forma alguma. Para conseguir realizar tal proeza ele criou uma tática que consiste em não fazer parte de um grupo mas também não permitir que as pessoas saibam disso.

Além de jogar videogame, o grande hobby de Greg é assistir filmes para então regravar sua própria e “mais complexa” versão deles – com “mais complexa” eu quero dizer totalmente sem sentido. Ele faz isso com Earl, um garoto que possui muitos problemas familiares e seu único amigo desde o jardim de infância, mas com quem não conversa sobre nada além de jogos e filmes. Os dois na verdade mal se conhecem, apesar de passarem boa parte do tempo juntos e Earl ser praticamente da família de Greg devido a suas frequentes visitas na casa.

Saraiva
Saraiva

Greg pretende continuar normalmente sua vida até finalmente ver-se livre do colégio, mas um dia sua mãe entra em seu quarto e lhe da a triste notícia de que Rachel esta com leucemia. Triste para ele é o fato de praticamente não ter-se abalado com isso enquanto sua mãe estava aos prantos. Mais triste ainda é o irrecusável pedido que ela faz para que o filho se reaproxime de Rachel com o intuito de animá-la e ajudá-la a enfrentar a doença. Greg tinha sido amigo dela anos atrás enquanto tentava deixar com ciúmes a garota de quem gostava, pensando que assim a conquistaria. Quando surgiu o boato de que Rachel e Greg estavam namorando, e quando percebeu que seu plano estava longe de funcionar, ele parou de falar com ela e assim pretendia continuar, até a descoberta da doença e o pedido de sua mãe.

A verdade é que Greg não quer ser visto com Rachel na escola, assim como não quer ser visto com qualquer outra pessoa. Após dias ligando em sua casa a fim de marcar algo para depois da aula, ele finalmente consegue fazê-la aceitar seu pedido inventando uma história de que anos atrás parou de falar com ela porque ela partiu seu coração. Greg passa a fazer uma visita para Rachel todas as tardes, e durante a maior parte do tempo simplesmente fala sobre si mesmo, enquanto ela o escuta e ainda ri de suas piadas estúpidas e forçadas.

Se você acha que depois disso Greg e Rachel se apaixonam, enquanto a doença faz com que ambos se desenvolvam como seres humanos e a história lhe arranca lágrimas de tristeza e emoção, saiba que não. Nesse livro não há o crescimento de uma grande amizade, e menos ainda de um amor. A doença de Rachel mal é vista pelo próprio Greg como algo terrível. Ele considera o tempo que passa com ela mais como uma obrigação do que qualquer outra coisa, enquanto em momento algum ficamos sabendo como ela esta enfrentando tudo isso, e o que ela acha dessa inesperada reaproximação. Eles não falam sobre coisas pessoais e menos ainda sobre coisas profundas. Greg continua ocupando sua cabeça com idiotices, e Earl é o único que em determinada cena diz algo que realmente possui alguma importância e significado, nos fazendo gostar mais dele após todo o receio diante de seu vocabulário repleto de gírias e palavrões, além de seu jeito exótico de ser.

Lembrando um pouco o livro Alguém lá em cima te odeia (Hollis Seamon) – principalmente pela linguagem bastante jovem e não por causa da personagem que possui uma grave doença – a primeira obra de Jesse Andrews é diferente por ser completamente realista em meio a um tema e época da vida que já esperamos serem retratados de maneira clichê na literatura. Esse realismo é capaz de nos fazer odiar as personagens e a própria história em determinados momentos, e a verdade é que até agora eu não sei dizer se gostei do livro ou não. Ainda assim, recomendo a leitura exatamente por sua originalidade, mas talvez nada muito além disso. Eu, Você e a Garota que Vai Morrer com certeza é um livro que precisava existir. Devido a tudo isso, além de fatos omitidos para não estragarem a graça da coisa, a leitura é recomendada com o aviso: não crie expectativas, e não espere que algo diferente aconteça ao longo da história, porque ela é isso mesmo que se mostra desde o início.

Ainda não assisti a adaptação cinematográfica da obra (Me and Earl and the Dying Girl, em inglês), mas imagino que a história foi mudada pelos roteiristas para se tornar um pouco mais cativante para o público, com um vínculo maior entre as personagens. Isso é apenas um palpite, obviamente, mas tenho bastante interesse em assistir ao filme para descobrir o que foi feito. O livro em si foi escrito de maneira que em certas partes até lembra o roteiro de um filme, além de possuir uma linguagem totalmente jovem e moderna, como já foi dito. O inglês é de fácil entendimento, com exceção da enorme quantidade de gírias que são sempre difíceis de traduzir.

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