Resenha Encontros com o Brasil (Paulo Rónai)

Saraiva
Saraiva

Nascido em Budapeste, capital da Hungria, Paulo Rónai foi um crítico, tradutor, escritor e professor que se mudou para o Brasil devido a Segunda Guerra Mundial. Amigo de Ribeiro Couto, Aurélio Buarque de Holanda e diversos outros escritores e intelectuais, era apaixonado pela literatura brasileira, a qual analisava e conhecia como poucos, além de também dominar a língua portuguesa de maneira impressionante. Ele faleceu em 1992, e três anos depois a Fundação Biblioteca Nacional passou a conceder o Prêmio Paulo Rónai para tradutores brasileiros.

Lançado pela primeira vez em 1958, o livro Encontros com o Brasil trata-se de uma reunião feita pelo próprio escritor de artigos publicados durante cerca de 15 anos, onde ele discorre a respeito de livros brasileiros que lhe proporcionaram um grande prazer. Além de mostrar conhecimento e sensibilidade notáveis, Paulo Rónai foge do óbvio com seus comentários e é capaz de influenciar diretamente na mudança de perspectiva do leitor que antes não havia percebido a riqueza de nossa literatura nacional.

Eu considerei bastante complicado o entendimento dos textos que falavam sobre livros que ainda não tive a oportunidade de ler. Ainda assim, apreciei a escrita do autor durante toda a obra, me admirando com suas críticas tão bem construídas e toda a base que ele possui e utiliza na hora de expressar sua opinião. Por isso, creio que se você já leu pelo menos um ou dois dos livros, que incluem Grande Sertão: Veredas e Memórias de um Sargento de Milícias, já vale a pena a leitura desse conjunto de artigos; mesmo que você não compreenda muito o que ele fala a respeito do restante, creio que, assim como eu, ficará interessado em lê-los depois, pois é praticamente impossível não se contagiar com o entusiasmo de Paulo Rónai ou ficar pelo menos curioso para entender o motivo de tanta paixão que ele parece nutrir por cada um dos livros sobre os quais escreveu.

Além disso, o texto em que ele fala sobre o tradutor Agenor Soares de Moura me fez pensar muito sobre a importância da tradução, e creio que agora levarei isso muito mais em consideração na hora de escrever minhas resenhas.

5 Comentários


  1. Oiiiii Ju!!!!
    Sempre fico impressionada com a quantidade (e a qualidade!) de obras que o Rónai traduziu para o português. Temos muito que agradecer a ele!
    AMEI a ideia desse livro, mas em geral, também tenho dificuldade de ler análises detalhadas sobre livros que ainda não li. Me incomoda um pouco o autor estar falando de algo que eu não sei! Hahahaha!
    Vc sabe quais livros mais ele analisa? “Grande sertão: veredas” e “Memórias de um sargento de milícias” já li também! 😀
    Beijooo, adorei!
    Nati

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    1. Oi Nati!!!
      Eu não o conhecia até ler esse livro, mas fiquei muito interessada em ver trabalhos dele como tradutor.
      Também sinto esse incômodo, mas preferi prosseguir com a leitura mesmo assim. Claro que anotei vários livros que pretendo ler por causa das coisas que o Rónai falou sobre eles uahahau O bom é que se eu ler mesmo, posso reler o texto respectivo depois para entender melhor a análise dele.
      Você que é fã do Guimarães ia gostar do que ele escreve sobre Grande Sertão: Veredas! A análise sobre Memórias de um Sargento de Milícias também esta muito boa, me deu até vontade de reler para reparar melhor na obra.
      O livro inclui textos sobre Vida e Morte de M. J. Gonzaga de Sá, do Lima Barreto (dele li apenas Triste Fim de Policarpo Quaresma); Mar Absoluto, da Cecília Meireles; A Rosa do Povo, do Drummond; O Tempo e o Vento, do Érico Veríssimo (é claro que lembrei de você e do diário de leitura em vídeo que esta fazendo sobre essa obra!); Dois Mundos, do Aurélio Buarque de Holanda; Sagarana, também do Guimarães; Esqueleto na Lagoa Verde, do Antonio Callado (que fiquei com muita vontade de ler); uma parte maravilhosa onde ele fala sobre os livros do Graciliano Ramos e também alguns textos sobre pessoas específicas como o Balzac e o Ribeiro Couto. Esses não são todos os livros, mas acho que já da pra ter uma ideia!
      O Rónai fala que alguns dos livros deveriam até receber mais prestígio pela qualidade que possuem, mas não é o que acontece. Eu fiz a resenha justamente pensando nesse incentivo necessário para a leitura de obras como essas que a maioria das pessoas não se interessa em ler.
      Você que costuma ler e falar sobre livros não tão habituais quanto outros blogueiros literários provavelmente deve conhecer se não os livros, pelo menos a maioria dos autores.
      Beijos, obrigada pela visita 🙂

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  2. Gostei muito desse post. Queria sugerir uma postagem sobre Otto Maria Carpeux. E sobre Paulo Rónai, outro livro que ele analisa é Primeiras Estórias de Guimarães Rosa.

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    1. Que bom que gostou!
      Eu ainda não tive a oportunidade de ler algum livro do Otto Maria Carpeux, mas com certeza escreverei sobre quando isso acontecer. Se quiser, deixe uma sugestão de algum livro específico dele que leu e gostou.

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