Resenha Casa de Pensão (Aluísio Azevedo)

Amâncio Vasconcelos nasceu no Maranhão e, filho único, teve uma infância extremamente traumática. Muito arteiro em casa e na escola, sempre apanhava de seu pai e professor quando cometia algum ato de rebeldia, o que o tornou medroso e muito ressentido. Sua mãe, D. Ângela, era a única pessoa que discordava das surras que o filho levava e dava a ele amor e carinho, até mais do que deveria e de uma maneira um tanto quanto questionável.

Saraiva
Saraiva

Aos 12 anos Amâncio entrou no Liceu e finalmente viu-se livre do professor que tanto o importunava. Ele começou a beber, fumar e sair de casa durante a noite para farrear na rua com os amigos. Mas o tempo foi passando e viver ali já não era mais suficiente para sua sede de liberdade. Com 20 anos se mudou para o Rio de Janeiro a fim de estudar, causando assim uma extrema tristeza em sua mãe, que muito sofreu com a partida do filho querido. No Rio não poderia fazer Direito, então acabou optando por Medicina mesmo não suportando essa área, pois ao menos teria o título de doutor.

Logo ao chegar na Província, Amâncio foi acolhido por Luís Campos, um homem de negócios amigo do irmão de seu pai e na casa de quem morou durante cerca de um mês. Já cansado de fingir ser bom moço e não conhecer ninguém na cidade com quem pudesse sair, acaba conhecendo João Coqueiro, que durante um almoço lhe fala sobre a pensão da qual sua mulher toma conta, indicando ao rapaz que se mude para lá o quanto antes. Sua intenção esconde por trás o propósito de finalmente ver casada sua irmã mais nova, e o maranhense e futuro dono de uma grande fortuna representa o pretendente ideal para ela aos olhos de Coqueiro.

A obra Casa de Pensão foi publicada em 1884 pelo mesmo autor que anos depois escreveu o clássico O Cortiço. Durante a leitura, cheguei a conclusão de que realismo/naturalismo já deu para mim, e que durante um bom tempo, para não dizer para sempre, serei incapaz de ler e apreciar algo desse estilo. Eu já tinha iniciado a leitura anteriormente mas não consegui sair das primeiras páginas, e só não desisti novamente no mesmo ponto onde tinha parado devido a puro compromisso com minha própria consciência. Questão de honra.

Minha intenção era publicar aqui no blog um resumo completo da obra, mas preferi fazer a resenha porque preciso ser sincera e relatar que foi provavelmente o pior livro que li esse ano. Suas personagens são detestáveis e a história enfadonha; isso resume o motivo principal da crítica negativa, mas acredite que é mais do que suficiente para expressar minha opinião. Confesso que cerca de 80% de suas páginas foram lidas a muito custo, enquanto desejava ardentemente que ele ficasse um pouco mais agradável para que eu não demorasse tanto a terminá-lo. Depois disso melhorou um pouco, sim, mas não o suficiente para compensar todo o tempo dedicado. Talvez o problema esteja comigo e a fase pela qual estou passando onde não faz sentido algum ler um livro como esse. Eu já fui muito fã do naturalismo e me apaixonei por O Cortiço nas duas vezes que o li, mas não conseguiria recomendar Casa de Pensão de forma alguma.

Se você esta com o interesse pela literatura nacional aflorado, talvez até deva dar uma chance para esse livro. Ainda assim, eu aconselharia a priorizar outros antes dele, e ler apenas se necessário ou devido a fins acadêmicos. É muito ruim ter que lidar com a sensação de estar desperdiçando tempo ao ler alguma coisa, e minha experiência foi exatamente assim com esse romance naturalista do Aluísio Azevedo.

É prazeroso se aprofundar no estilo no qual determinada obra se classifica, mas se você vai embarcar na Casa de Pensão é preciso ter força e coragem. O naturalismo inaugurado aqui no Brasil por esse autor é sim muito interessante, mas é necessário ter a mente aberta para compreender o motivo pelo qual as personagens são como são e o enredo é como é. Dessa maneira a leitura não se torna frustrante, mas ainda assim talvez ela seja. Não vou dar minha palavra como definitiva, pois ainda acredito que todo livro tem algo a acrescentar na vida de quem o lê. Apesar de não ter gostado, estou feliz por ter terminado e cumprido mais uma meta nesse ano de 2015.

7 Comentários


  1. Acho que a única obra do Aluisio que eu li foi O Cortiço. Também li duas vezes e, da segunda, gostei mais do que da primeira. Não me foi um livro fácil, mas interessante. Ainda não sei se leira Casa de Pensão. Quem sabe… 🙂

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    1. Eu também gostei muito da segunda leitura de O Cortiço, Lari. Parece que consegui apreciar ainda mais os detalhes e a história. É um dos poucos livros que leria até uma terceira vez, se não tivesse muitos outros para ler ainda.
      Obrigada pela visita!

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  2. Oii Ju!
    “O cortiço” é o mais famoso do Aluísio, mas também já ouvi falar neste. Só não sabia sobre o que era a história!
    Isso de acharmos um livro absurdamente chato acontece mesmo, e fiquei muito feliz por vc ter dado sua opinião sincera! Precisamos disso nas resenhas, se não, vira um bando de propagandas.
    Beijo, e parabéns por ter persistido na leitura! 😀
    Nati

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  3. Resenha – Livro “Casa de Pensão” – AZEVEDO, Aluísio Tancredo Gonçalves.

    RESENHA:

    MACÊDO, Francisco de Assis Ribeiro

    É um Romance Naturalista descrito por Aluísio, maranhense, o qual foi as minúcias das “Casas de Pensão” na cidade carioca, hoje Rio de Janeiro, data de 1884. Este livro fala de romance, ganância dos portugueses e brasileiros pelo níquel e debêntures Ações do Governo. Era o principiar do capitalismo selvagem. É o fundador da Cadeira de n. 4 da Academia Brasileira de Letras, que tem como patrono Basílio da Gama. Nasceu em São Luiz -MA em 14/04/1857 e morreu em 21/01/1913 na Capital Argentina, Buenos Aires.

    Órbita o livro nas frases de hoje: ” Quem não rouba, ou herda, enrica é merda” Amâncio era hospede de “Coqueiro” e Amelinha irmão do mesmo amasiada do locandeiro e uma vez em querer ir visitar em sua província a mãe, pois o senhor Vasconcelos havia morrido.

    Amâncio era amasiado e vivia em amores em adultério com Estela e sua amada Amélia deu com uma carta a outra companheira delitiva do maranhense, estudante de medicina. Fez o Coqueiro de tudo para prender o amásio de sua irmão e como Amélia se lesionou e gritava muito deu ensejo a uma ocorrência de estupro e o que ao desenrolar o “Oficial de Justiça” na época um dos que compunha a estrutura da polícia galgou a prisão de Amâncio já no navio.

    O Delegado diante do exame de corpo de delito, as unhadas, lesões estas praticadas pela vítima e assim feito, enganou com testemunhas pagas à Delegacia e com Prisão Preventiva decretada, duro custou ao estudante de medicina conseguir livrar-se da imputação lhes arrogada. Não obstante, por possuir bons jornais (boas fianças) consegue a liberdade, contudo, após uma bebedeira, insultos ao passar defronte a “Casa de Pensão” de Coqueiro e este de posse de um revólver madrepérola deixada pelo genitor, deu-se com ela e adentrou aonde estava Amâncio que dormia no “Hotel Paris” momento em que foi morto com vários tiros, sendo que um atingiu-o no tórax pouco tempo faleceu.

    Coqueiro visto a operância da Polícia no momento em que estava saindo foi preso por um polícia. Lá no Rio de Janeiro foi um grande movimento, abalou a Ordem Pública por ser o seu advogado muito entrosado com várias pessoas importantes, ser político, se fez uma caminhada fúnebre compostas de Deputados, Senadores e ainda com tempo chegou a mãe do assassinado que ao observar o corpo do filho caiu em decúbito dorsal.

    Demonstra as características dos romances naturalista: – Ostentação da burguesia, sofrimento dos desprovidos, miserabilidade versos riqueza, destaque na sociedade por meio de ações empresas de comandita, ações do governo e ganho de destaque na época.

    Achei um livro com quase quatrocentos páginas, cansativo, muitas figuras de linguagem, pessoas doentes de tuberculose sem amparo governamental, pelo jeito era incurável, morria bem magro, tísicos, os couros encostando nas costelas e à noite era toda a tossir.

    AZEVEDO, Aluísio Tancredo Gonçalves de. !884.

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  4. Engraçado, eu por exemplo odiei “O Ateneu”.. Tentei várias vezes mas não deu.. Já li “O cortiço” e agora irei ler pela segunda vez.. Estava interessado em “Casa de Pensão” por também ser uma obra do Aluísio e que também trata de Naturalismo, mas depois da crítica decidi deixar para uma outra hora e reler “O Cortiço” que tanto gostei quando na época do vestibular…

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