Resenha Capitães da Areia (Jorge Amado)

Saraiva
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Capitães da Areia é uma obra de Jorge Amado que narra a emocionante história de um grupo de meninos de rua que levam vida de adulto, passam suas noites em um trapiche, roubam para sobreviver e são conhecidos em toda a cidade de Salvador como perigosos e delinquentes. A narrativa traz em evidência a vida de alguns desses meninos, e é impossível não se envolver com seus dramas e sentimentos mais profundos.

O grupo é liderado por Pedro Bala, um garoto de 15 anos que tem sede de liberdade e é muito conhecido e respeitado por suas habilidades. Ele é visto pelos capitães da areia como pai e exemplo. Com o decorrer do livro, Pedro Bala descobre que seu pai era um grevista, e isso o inspira a lutar por aquilo em que acredita e anseia: uma sociedade melhor para os injustiçados.

Professor é o único letrado entre os meninos. Ele passa suas noites lendo as mais diversas aventuras, é respeitado por sua sabedoria e conselhos e ganha trocados com retratos que faz na rua. Depois de alguns anos, têm sua arte apadrinhada por um rico homem, e torna-se um pintor famoso em Salvador, retratando em seus quadros a vida das crianças abandonadas.

Gato é um jovem elegante e malandro que mantêm relações com uma prostituta. Pirulito sonha em ser padre e abandonar a vida pecaminosa de menino de rua. Sem-pernas, garoto traumatizado e revoltado, nutre ódio por tudo e todos; usa de sua deficiência para conseguir abrigo com famílias ricas, que depois se tornam suas vítimas de furto.

Mais tarde, somos apresentados a Dora e seu irmão, que se tornam órfãos e acabam se juntando aos capitães da areia. Dora, única garota no trapiche, passa a ser vista como mãe por todos aqueles meninos abandonados, que buscam em sua figura feminina o carinho e proteção maternal que nunca receberam.

A narração, focada nas deformidades da sociedade, nos faz criar certa afeição pelos garotos de rua. Todos os erros que eles cometem acabam por ser justificados de uma maneira que a culpa seja sempre das autoridades, que os maltratam, do Estado, que os ignora, de seus pais, que os abandonaram, e da sociedade no geral, que se faz de cega diante do fato de que eles não passam de crianças que tiveram a infância e inocência roubadas e por isso precisam se portar como adultos para sobreviverem a cada dia.

Com cenas fortes e comoventes, é impossível não se emocionar com a história de Capitães da areia. Ao abrir os olhos da sociedade de uma maneira sensível e que envolve o leitor, Jorge Amado criou uma obra que faz jus ao título de “Clássico da literatura brasileira”.

4 Comentários


  1. “Capitães da areia” é mesmo muito lindo!!! E é de uma escrita bem tranquila de ler, né? Acho que isso agrada a muitos públicos.
    A cena do carrossel é muito maravilhosa, minha preferida!
    Vc já viu o filme, Julie? Achei que ficou uma adaptação excelente!
    Beijos!
    Nati

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    1. Oi, Nati! Além da escrita tranquila de ler, a história e personagens são envolventes. Isso é muito bom principalmente na fase do colegial onde rola um certo preconceito com a literatura, para muitos considerada tão difícil de entender.
      Ainda não vi a adaptação, que legal que você gostou! É a primeira vez que ouço alguma opinião a respeito dela, mas tenho vontade sim de assistir. Também de reler o livro e ler outros do Jorge Amado. Você já leu algum?
      Beijos!

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  2. Super curti a resenha! Tenho esse livro há uns 3 anos na minha estante por causa do vestibular, mas ainda não li. Mas depois dessa resenha com certeza estará na minha lista de prioridade.

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    1. Que legal, Bárbara! Fico feliz que tenha gostado a ponto de ter o interesse despertado. Você não vai se arrepender, é um dos melhores clássicos brasileiros de se ler.

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