Resenha Anne de Green Gables (L. M. Montgomery)

Marilla e Matthew Cuthbert formam um idoso casal de irmãos que vive na incrível propriedade de Green Gables, em uma comunidade local chamada Avonlea. Eles decidem adotar um garoto para auxiliar nos serviços da casa, uma vez que ambos nunca se casaram ou tiveram filhos. Um equívoco de comunicação faz com que a mulher encarregada do orfanato mande para eles uma garota ao invés disso. Matthew fica surpreendido e decide levá-la para que sua irmã decida o que fazer, e já no caminho da estação de trem até sua casa acaba se cativando pela garotinha, que falou praticamente durante todo o percurso, admirada com tudo o que via e muito animada por pensar que finalmente teria um lar.

Saraiva
Saraiva

A ruiva, magra e cheia de sardas Anne Shirley, de onze anos, fica arrasada quando descobre que não viverá em Green Gables por não ser um menino, e chora a noite toda. Mas é claro que, apesar do pavor que a ideia causa em Marilla, ela decide ficar com a garota – afinal, o livro não teria esse nome se a decisão fosse diferente, apesar do pequeno suspense que a possibilidade nos causa no início.

Já da para imaginar que Anne é uma garota totalmente fora do comum, uma vez que não se fazem boas histórias com crianças normais como protagonistas. Ela não para de falar nem por um minuto e possui uma maneira única de enxergar o mundo onde habita, ao qual ama completamente e estima cada pequeno detalhe, apesar de viver na maior parte do tempo em uma realidade mágica criada por ela mesma. Há uma grande ênfase dada pela autora na imaginação da menina, que inclusive foi seu conforto durante os difíceis anos antes de Green Gables. Anne sente intensamente as dores e as alegrias da vida, e é de uma maneira singular que ela acaba conquistando o coração das pessoas ao seu redor.

Quando estava terminando a leitura do livro, surpreendentemente descobri ter ficado um pouco triste por conta disso. Acabei me cativando por Anne, e acompanhar seu crescimento em Green Gables foi muito mais agradável para mim do que achei que seria. Assim como Marilla, que lamentou quando percebeu que a garotinha que havia adotado anos antes já tinha se transformado em uma moça crescida, ao mesmo tempo que ficou feliz pelo mesmo motivo, percebi que me apeguei a personagem e desejei que sua história durasse mais do que as 471 páginas tão agradáveis de serem lidas. Além disso, o livro possui uma linguagem acessível e é repleto de descrições sobre a natureza do local. Anne é simplesmente inspiradora, assim como Montgomery e sua real história de vida; fiqui com uma imensa vontade de ler outras de suas obras, principalmente as que possuem a ruivinha como protagonista.

Imagino que seja melhor parar por aqui para não estragar a leitura de possíveis pessoas que venham a se interessar pelo livro. Melhor ainda é não saber muito sobre ele e se surpreender, assim como aconteceu comigo. Só posso dizer que o recomendo mesmo considerando que ele talvez seja mais indicado para os mais novos. Bom do início ao fim e muito bem escrito, possui uma história encantadora e entrou para minha lista de leituras que ultrapassam a barreira da idade.

Lucy Maud Montgomery foi uma escritora canadense nascida em 1874, que ficou muito conhecida pela obra Anne de Green Gables, publicada em 1908 e que se tornou um grande sucesso. A autora lançou mais sete romances com a protagonista Anne Shirley, que dizem ter muito em comum com ela própria, além de diversas outras obras incluindo contos e poesias.

1 Comentário


  1. Eu quero saber como é o segundo filme baseado neste livro. O primeiro filme eu já assisti!

    Responder

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *