Resenha A última dança de Chaplin (Fabio Stassi)

Quando é visitado pela Morte a primeira vez em uma véspera de Natal, Chaplin lhe propõe o seguinte acordo: se conseguir fazê-la rir, poderá viver durante mais um ano. O astro do cinema que agora já tem mais de oitenta e vive recluso com sua família tem um filho ainda criança, Christopher, e gostaria de acompanhar seu crescimento por mais tempo. Devido a uma falha de seu corpo já desgastado pela idade, consegue tirar da morte uma gargalhada zombeteira, garantindo assim mais um ano de vida.

Juliescreveu
Juliescreveu

Charlie escreve uma longa carta a seu filho contando a história de sua vida de uma maneira inédita, com fatos não revelados nem em sua autobiografia. Começa discorrendo sobre seu nascimento, que ao contrário do que todos pensam não aconteceu em Londres, mas sim em uma floresta no centro da Inglaterra, em cima de uma carroça de artistas de rua. Sua vida foi ligada ao circo desde então; filho de artistas, que logo se separaram, quando ainda muito novo entrou para uma trupe de meninos que foi contratada por um circo de Londres, Hippodrome.

Durante seis anos Chaplin é visitado pela Morte, a fazendo rir de maneiras inusitadas e sempre conseguindo mais um ano para viver ao lado do filho. O comediante já não dispõe da energia de antigamente para atuar na pele de Carlitos, o vagabundo, chegando a parecer ridículo dentro de sua clássica vestimenta, fato sempre notado pela sarcástica Morte.

Na continuação da carta, Charlie conta sobre sua primeira paixão, a chegada aos Estados Unidos, as funções que exerceu enquanto procurava se encontrar, a maneira como entrou para o cinema no cargo de diretor sem ter experiência alguma nisso e, finalmente, como surgiu o personagem que ficou conhecido no mundo todo e mudou sua vida completamente. Tudo isso em meio a acontecimentos emocionantes envolvendo a criação do primeiro cinematógrafo, além de um Chaplin de aparência e jeito melancólico que muito enfrentou antes de se tornar um sucesso na arte de fazer rir.

A história fictícia criada por Fabio Stassi contém um pouco de realismo em seus fatos, e apesar de achar que seria melhor ter lido alguma biografia do Chaplin antes, creio que é possível para qualquer um ler esse livro, saber onde se encontram as partes mais fantasiosas e não ficar se perguntando a todo momento se aquilo tudo realmente aconteceu ou não. Minha maior recomendação seria que assistissem ao menos um filme do ator antes da leitura da obra (caso ainda não tenha assistido), para que consigam se situar melhor nos cenários descritos e também para que não se distanciem tanto do verdadeiro Charlie Chaplin, algo que provavelmente renderá mais emoções e maior envolvimento com a leitura.

Apesar de ter achado a história levemente pacata, A última dança de Chaplin me surpreendeu de uma forma inesperada em seu desfecho. Restou algumas dúvidas a respeito de o personagem ter escrito a carta durante os seis anos em que foi visitado pela Morte ou em uma única véspera de Natal (a última), afinal, a carta é longa demais para isso, mas foi iniciada como se fosse ser escrita de uma só vez. Contudo, a mensagem contida é do tipo que nos faz parar antes das últimas linhas para fazer uma grande reflexão antes de finalizar a leitura, e apesar de não ser um ótimo livro, é sem dúvidas um bom livro.

P.S.: Fabio Stassi é considerado um dos escritores mais talentosos da Itália.

2 Comentários


  1. Oiiiii Julie!!!
    Poxa, parece bem legal! Gostei da capa do livro, e sua resenha me despertou o interesse!
    Chaplin foi um GÊNIO, e me parece que a narrativa de Stassi traz essa ambiguidade do palhaço: a melancolia que leva ao riso.
    Beijos, adorei!
    Nati

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    1. Que bom que gostou da resenha, Nati! A capa esta realmente linda.

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