Resenha A Letra Escarlate (Nathaniel Hawthorne)

Juliescreveu
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A bela e jovem Hester Prynne, em busca de uma nova vida, muda-se de sua vila natal na Nova Inglaterra para uma cidade maior, enquanto seu estudioso e velho marido permanece para resolver alguns negócios inacabados. Dois anos se passam sem que a jovem receba notícia alguma de seu paradeiro; nesse meio tempo, envolve-se em um relacionamento adúltero e acaba por engravidar.

Hester passa alguns meses na prisão, onde da à luz uma garotinha de nome Pearl. Seguindo a sentença das autoridades, que resolveram não lhe aplicar pena de morte, a jovem é condenada a ficar durante três horas exposta no pelourinho, e a usar pelo resto de sua vida a letra A bordada em seu vestido. Ao enfrentar com a filha no colo e a letra no peito os duros e reprovadores olhos da sociedade puritana, reconhece seu marido no meio da multidão, e mais uma vez nega-se a revelar a identidade de seu cúmplice no horrível pecado cometido.

Roger Chillingworth, marido de Hester, a faz prometer que o casamento dos dois se manterá oculto na cidade onde, logo ao chegar, é aceito como médico respeitado. Além disso, promete descobrir quem é o homem com quem a jovem o traiu, e então dedicar o resto de sua vida a vingar-se dele.

Hester sai da prisão e muda-se com a filha para uma casa abandonada fora da cidade, só não passando fome devido a seu talento na arte de bordar, que lhe rende inúmeros trabalhos. Fora isso, a moça se encontra em uma completa exclusão social, sendo constantemente humilhada pelo pecado cometido e a letra que ostenta no peito. Servindo de exemplo nos sermões da igreja, ela chega a se tornar a própria representação do pecado na Terra. É em meio a essa repugnância e desprezo que cresce Pearl, uma garota de gênio forte e natureza única, que não se sujeita de maneira alguma às regras da sociedade a qual não pertence desde o nascimento.

Não demora até que o leitor consiga identificar o homem que deveria estar acompanhando Hester na desumana situação em que vive. Muito venerado pelo cargo que ocupa, torna-se cada vez mais perceptível para todos na cidade que uma moléstia terrível toma conta de seu ser; o que ninguém imagina, contudo, é que ela provém do peso que afeta sua consciência e uma enorme dívida para com a verdade.

A crítica o que Hawthorne expressa em sua obra é tocante e surpreendente. Ao expor o preconceito de uma sociedade que desconta no pecado alheio o horror aos próprios erros e o medo do julgamento divino, o autor consegue representar de maneira singular as falhas, angústias e misérias da alma humana. Impossível não se comover com a história da mulher da letra escarlate, que leva o leitor a diversas reflexões a respeito de uma religião opressora e uma época impiedosa.

Afinal de contas, não há certa semelhança com o que ainda existe nos dias de hoje? Quem possui a moral de julgar o que realmente é certo ou errado nesse mundo?

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