Green Day no Brasil – Revolution Radio Tour: Relato de uma fã

Há cerca de um ano comprei uma camiseta do então mais novo álbum do Green Day, Revolution Radio (lançado em outubro de 2016). A intenção era usá-la em um show caso a América do Sul fosse incluída na turnê de divulgação do álbum. Não demorou até que o trio começasse a dar indícios de que finalmente retornaria ao Brasil – como um pequeno vídeo no qual Mike Dirnt (baixista) dizia para nosso país se preparar para novidades.

Sete anos definitivamente não passaram tão rápido assim. Em 2010, a banda esteve em quatro cidades no Brasil (Porto Alegre, Rio de Janeiro, Brasília e São Paulo) na turnê do álbum 21st Century Breakdown, em um dos momentos mais icônicos da carreira de 30 anos do trio composto por Billie Joe Armstrong (guitarra e vocais), Mike Dirnt (baixo e vocais) e Tré Cool (bateria). Desde então, eles lançaram a trilogia ¡Uno!, ¡Dos!, ¡Tré! (2012), mas cancelaram shows antes que os brasileiros pudessem sonhar em revê-los, principalmente porque Billie Joe foi parar na reabilitação devido a problemas com álcool e outras substâncias.

Quando foram anunciados para o mês de novembro shows em quatro cidades brasileiras – Rio de Janeiro (1), São Paulo (3), Curitiba (5) e Porto Alegre (7) – se tornou grande a ansiedade dos fãs. Com um setlist que incluía clássicos de álbuns anteriores e músicas do novo álbum, Green Day prometia não apenas pelos hits, mas também pela presença de palco da banda, que com a turnê de Revolution Radio já tinha feito performances memoráveis na Europa e Estados Unidos.

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Usando minha camiseta comprada há um ano, fui ao show em São Paulo e agora deixo em meu blog um relato nada imparcial – afinal, há 6 anos Green Day é minha banda favorita, e ir a um show deles era meu sonho. Além disso, não sou expert em música, apenas uma grande apreciadora.

The Interrupters foi a banda convidada para abrir os shows da América Latina. Punk e com vocal feminino, o quarteto é bastante elogiado por Billie Joe, e mesmo relevando que todas as músicas tocadas soaram um tanto quanto parecidas, o público pareceu muito satisfeito com a abertura, e eu também fiquei. Contudo, era tão grande minha ansiedade para o show que só o que eu queria era que eles saíssem logo do palco para que Green Day pudesse entrar. Antes disso, Drunk Bunny (mascote das turnês) aparece dançando, fazendo palhaçadas e jogando para o público coelhos de pelúcia.

Quando o trio finalmente apareceu, eu cheguei a acreditar que meu coração não aguentaria tamanha emoção. Então, tudo aconteceu muito rápido; eles começaram a tocar Know Your Enemy e só o que eu conseguia fazer era gritar e pular. Logo na primeira música, um fã sortudo foi chamado no palco para cantar um trecho. Depois disso, foram tocadas duas músicas do novo álbum – Bang Bang e Revolution Radio – e três de American Idiot – Holiday, Letterbomb e Boulevard of Broken Dreams, música que me levou às lágrimas. Longview contou com mais um fã subindo no palco, e então a animada Youngblood fez saírem do chão cerca de 25 mil pessoas presentes na Arena Anhembi.

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A seguir, uma sequência de músicas das antigas para fã nenhum botar defeito – teve até F.O.D., música que não tocavam ao vivo desde 2013. Como se não bastasse tudo isso, teve Billie atirando camisetas e usando uma mangueira para molhar a plateia; mais um fã sortudo, dessa vez chamado para tocar guitarra em Knowledge; faíscas e chamas no palco (que calor!); integrantes da banda usando fantasias em King For a Day; Garota de Ipanema no saxofone; Hey Jude e outros covers com Billie e Mike deitados no palco; Billie tocando bateria e gaita; discurso sobre política mencionando Amazônia e Donald Trump; Billie se arriscando no português (“Obrigado” e “Ainda estamos vivos”); Billie segurando a bandeira LGBT; American Idiot e Jesus of Suburbia cantadas a risca pela plateia; muita interação com o público, além de uma animação surpreendente por parte do trio e dos outros 3 músicos que participam das turnês (Jason White, Jason Freese e Jeff Matika).

Quando todos saem do palco e resta apenas Billie e seu violão, o coração aperta porque as quase 3 horas de show passaram voando – a primeira vez que olhei no relógio, pensei que teriam se passado uns 30 minutos mas o show já estava na metade. A plateia fez bonito cantando 21 Guns, mas foi em Good Riddance (Time of Your Life) que desabei, tanto de alegria por ter vivido um sonho, quanto de tristeza por ter passado tão rápido. Mike e Tré voltaram para a despedida, e enquanto os 3 estavam lá, juntos no palco, os papeizinhos com o nome da banda voando por todos os lados, pedi para meu namorado me erguer uma última vez antes que suas costas travassem completamente, e tentei guardar na memória a visão que parecia miragem. Quando voltei para o chão, Billie já havia saído do palco, seguido por Mike e Tré, que passou segurando uma faixa com seu nome feita por algum fã.

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Obrigada Billie, Mike e Tré por me inspirarem através de suas músicas, me alegrarem quando me sinto triste e sozinha, me mostrarem que vale a pena lutar por aquilo que acreditamos e que sonhos podem se tornar realidade, por ainda estarem vivos e terem sido responsáveis pela melhor noite da minha vida. I definitely had the time of my life.

Adendo: quando percebi que Adrienne Armstrong e Brittney Cade (esposas do Billie e Mike, respectivamente) estavam na lateral do palco, pedi para meu namorado me erguer para que eu pudesse acenar para elas, e no mesmo momento elas começaram a acenar em minha direção. Não tenho certeza se era para mim, mas por via das dúvidas, decidi acreditar que sim.

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